Uma geração com desafios emocionais

por Letícia Brandão

Alguns dias atrás eu estive no encontro da Escola da Inteligência, do doutor Augusto Cury. Em meio aos debates, foram abordados alguns assuntos voltados aos nossos jovens que vivem com sua ansiedade à flor da pele, resistentes e depressivos. Uma geração imediatista e vivendo cada vez mais solitária, mesmo com toda a tecnologia.

Segundo o doutor Augusto Cury, uma criança hoje possui mais informação do que Albert Einstein na sua época. São tantas que, muitas vezes, não sabem o que fazer. Estão com o pensamento acelerado, tornando-se mais ansiosos e perdendo o foco para o que realmente tem significado, principalmente nas relações humanas.

Para nós, pais ou educadores, parece fácil falar sobre a gestão das emoções, mas na verdade não é, porque nem nós sabemos ainda como lidar com elas. Temos muitas incertezas e por vezes, atropelamos a nossa própria emoção abrindo muitas janelas ruins. Lembramo-nos de nossa infância, de como era diferente – um “momento nostalgia” – e não conseguimos ajudá-los. Entramos num círculo vicioso, no qual “fingimos” que entendemos e eles que estão sendo ouvidos.

Para conseguirmos de verdade ter uma relação saudável com nossas emoções e com a deles, é necessário que um se coloque no lugar do outro. Devemos observar realmente o que cada um sente para começar a sair da zona de conflito e traçar uma meta de como melhorar a comunicação.

Se essa relação não for saudável, os pensamentos passam a ser desagradáveis, a baixa autoestima entra e toma conta das emoções. Abrem-se as janelas killer (pensamentos ruins) que ficam armazenadas em nossa memória e, em virtude disso, ficam tristes e não conseguem ter pensamentos que os deixem leves. Tornam-se cada vez mais ansiosos podendo levar até a uma depressão.

Por isso tão importante termos relações saudáveis com os jovens. Se estes tem a autoestima elevada e entendem que são capazes de fazer diferente, se abrem às janelas light, dão mais leveza à vida e começam a acreditar que podem ser felizes.


“Para conseguirmos de verdade ter uma relação saudável com nossas emoções e com a deles, é necessário que um se coloque no lugar do outro. Devemos observar realmente o que cada um sente para começar a sair da zona de conflito e traçar uma meta de como melhorar a comunicação”


A grande sacada de tudo isso é que antes de ajudar, uma criança, jovem ou até mesmo um adulto que esteja se sentindo desanimado, ansioso, triste e até com depressão, é estar bem consigo mesmo, só assim conseguirá fazer a diferença na vida de alguém e principalmente na sua.

É necessário hoje um trabalho socioemocional com eles para entenderem suas emoções e como agir diante das dificuldades. Em nosso colégio iniciamos, pensando nisso, um trabalho com a Escola da Inteligência, um programa que acontece trabalhando o socioemocional dos alunos. Nesse projeto, eles aprendem a lidar com seus conflitos de maneira não agressiva e sim saudável, para que ocorra a aprendizagem de maneira clara e suas emoções sejam devidamente sentidas levemente, e não como um peso. Uma pessoa entusiasmada é uma pessoa cheia de Deus. Pense Nisso…


Letícia Brandão

Letícia Guedes Bizigatto Brandão é pedagoga e trabalha com educação há 25 anos. Desde 2006 é diretora do Colégio Evoluti, em São José dos Campos e carrega consigo um amor à educação de fazer a diferença na vida dos alunos, formando gente de verdade. Sua maior certeza na vida é de que “sonho que se sonha junto torna-se realidade”.

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