Inteligência emocional: habilidades comportamentais que orientam seu sucesso

por Rafaela Caxias

A partir dos anos 40 a inteligência, digamos assim, de um indivíduo passou a ser mensurada através de famigerado Quociente de Inteligência (Q.I.). O valor obtido por meio de testes, que avaliam a capacidade cognitiva de um sujeito, mais as habilidades compatíveis com à sua faixa etária geram um “produto final” que molda a competência daquela pessoa. Entretanto, seria essa a única forma de alcançar sucesso na vida pessoal ou profissional? Existiriam fatores comportamentais, como por exemplo a motivação, autocontrole e empatia, que norteariam toda e qualquer conquista?

Esses questionamentos nortearam a mente de muitos psicólogos e estudiosos ao longo do tempo, porém, em 1986, o psicólogo Daniel Goleman, escritor e PhD da Universidade de Harvard nos Estados Unidos, publicou um livro com o seguinte título “Inteligência Emocional: a teoria revolucionária que define o que é ser inteligente” e que já vendeu mais de 5 milhões de cópias. O especialista explica que existem fatores que vão além de um agrupado de avaliações, gráficos e habilidades para definir o que seria “ ser inteligente”, ou seja, para o desenvolvimento da inteligência de um indivíduo são importantes fatores comportamentais e o controle das emoções.

Uma definição mais concreta seria a possibilidade, que todo e qualquer ser humano tem, de desenvolver a capacidade de identificar nossos sentimentos e os dos outros, nos motivarmos e gerir bem as emoções, tanto dentro de nós, quanto nos nossos relacionamentos. Dessa forma é a responsável pelo sucesso ou insucesso dos indivíduos, como por exemplo em uma situação de trabalho em que o relacionamento humano é pautado em afabilidade, compreensão e gentileza, são maiores as chances de alcançar o sucesso. Para o psicólogo, podemos categorizar a inteligência emocional em habilidades, sendo elas autoconhecimento emocional, controle emocional, automotivação, reconhecimento das emoções em outras pessoas e relacionamentos interpessoais.

Autoconhecimento emocional

Conhecer a sua essência, ter pleno domínio de si, em pensamentos, desejos, esperanças, frustações, crenças, é o primeiro passo para montar um mapa pessoal fazendo com que tenhamos oportunidade de melhor interpretar quem somos e onde queremos chegar. Porém, vale uma reflexão neste momento: sabemos reconhecer nossas emoções e ter controle sobre esses estímulos? A ausência desta habilidade nos deixa à mercê das emoções.

Umas das aptidões da inteligência emocional é a capacidade de reconhecer sentimentos e sensações e passar a “pilotar” melhor a sua vida.

Controle emocional

Quando se tem conhecimento das emoções, lidar com esses sentimentos, adequando-os a cada situação vivida, é uma prática passível de ser desenvolvida e que contribui para o aprimoramento da inteligência emocional. Através de um processo orientado pela razão, podemos nos libertar das emoções negativas que nos bloqueiam.

A partir de um controle emocional, por exemplo, se estamos tristes, podemos escolher pensar de forma otimista. Daniel Goleman cita um exemplo de como “virar essa chave”. Certa vez, o mesmo se encontrava em Nova Iorque, em um verão extremamente abafado, no qual o comportamento das pessoas demonstrava o quão estressante estava a situação climatológica: mal humor contagiante. Ao cruzar a Avenida Madison, pegou um ônibus e foi quando se surpreendeu com a atitude do motorista. Cada passageiro que entrava no transporte, com aquele humor nada agradável, sequer olhava para quem conduzia aquele transporte coletivo, muito menos para os demais passageiros ao redor. Entretanto, aquele senhor sorridente que passava horas sentado, esboçava um sorriso contagiante para cada um dos seres de “cara fechada” que adentravam o ônibus. Naquele momento, com essa atitude, uma habilidade da inteligência emocional se mostrava extremamente desenvolvida: controle emocional. Aquele motorista tinha motivos mais do que suficientes para se contagiar com aquele mau humor social, virtude do calor escaldante de Nova Iorque no verão, porém, brilhantemente, soube decifrar o que sentia e converter em algo positivo.

Automotivação

Motivação, do latim movere, significa a condição que orienta um comportamento, visando um objetivo, ou seja, um impulso que leva à ação. Quando esse estímulo não é externo, podemos identificar a presença de automotivação. O direcionamento das emoções a serviço de uma realização pessoal e/ou objetivo, sem dependência de fatores extrínsecos, é uma das habilidades da inteligência emocional.

Deixar se levar por aborrecimentos e ansiedades decorrentes do dia a dia proporciona uma quebra de concentração em tarefas decisivas, profissionais ou de cunho pessoal. Por outro lado, se motivados, o prazer em produzir e a calma durante o período de espera da gratificação ficam inabalados.

Empatia

A empatia, ou em outras palavras, para fácil interpretação, a capacidade de reconhecer as emoções em outras pessoas, é uma habilidade que, quando desenvolvida, constrói autoconhecimento emocional.

Reconhecer no outro um sentimento e ter empatia permite que as necessidades e desejos desse oposto sejam identificados, e, desta forma, possibilita uma melhor construção de relacionamentos eficazes, sustentando, assim, a capacidade de liderança do indivíduo, bem como sua eficiência interpessoal.

A inteligência emocional pode ser desenvolvida, treinada e aprimorada através de novos hábitos, formas de pensar e comportamentos. O importante a se saber é que a base é única: experiência humana. Vivenciar situações, na prática, situações que exijam o uso dessas habilidades, mas, principalmente, identificar seus sentimentos e saber gerir suas ações nos momentos mais críticos.

Todo ser humano têm possibilidade de amplificar qualquer uma dessas habilidades, sem fórmula mágica, apenas com um direcionamento baseado, não apenas no seu quociente de inteligência, mas pautado em entender questões da mente humana com profundidade, trazendo para as pessoas uma melhor visão sobre toda e qualquer situação.


Rafaela Caxias

Rafaela S. Caxias é bacharela em direito, pós-graduanda em gestão de pessoas e especialista em extrair gargalhadas de todos. Amante das artes em geral, escolheu a dança aos cinco anos de idade e, desde então, corteja as sapatilhas. Devora livros sobre comportamento, coaching e demais assuntos que possam tornar a vida das pessoas mais leves, positivas e objetivas.

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