Maria Apparecida: de Minas, dos quitutes, de um grande amor e de seus anjos

Maria Apparecida Guimarães, nascida em 26/12/1931, a mais velha de 11 filhos, natural de Itanhandu – MG, de pai comerciante e mãe dona de casa, tendo como profissão formal o magistério e como paixão a cozinha, ambiente doméstico este que a levou a empreender e também ser conhecida pelos seus quitutes.

O dia 12 de junho de 1957 foi um marco em sua vida, largou sozinha a pequena Itanhandu para respirar novos ares e buscar novas oportunidades de vida. A professora, que na época já tinha 25 anos, havia terminado um noivado e escolheu São José dos Campos para ser o seu novo lar.

Ao chegar às terras joseenses logo descobriu que seu diploma de magistério não era válido no Estado de São Paulo, somente em Minas Gerais e Rio de Janeiro. Buscou então utilizar-se dos conhecimentos adquiridos desde a infância, com sua mãe e imergir no mundo da costura, morando no mesmo local que trabalhava, para uma reconhecida modista joseense da época, Madame Lopes.

Tendo se apaixonado pela cidade, Maria Apparecida resolveu trazer o resto da família e assim arrumou trabalho para todos os seus irmãos, bem como procurou um imóvel para toda a família. E seis meses depois os Guimarães estavam reunidos novamente.

Ao buscar oportunidades de crescimento profissional, Cida começou a trabalhar na Cerâmica Conrado, empresa que estava crescendo em São José dos Campos na época e, além disso, ajudou mais três irmãs a conseguirem emprego no mesmo local.

Nos domingos de folga, Maria Apparecida ia aos bailes da Associação Esportiva São José, no Centro de São José dos Campos, para se divertir e dançar com seus irmãos. E em um desses domingos ela conheceu José Omir Veneziani, aquele que seria seu companheiro por 50 anos e o amor de sua vida.

José Omir Veneziani, o Lelé, estava desquitado e tinha dois filhos, ou seja, não era o tipo de pretendente perfeito para a Cida, mas ela foi teimosa e decidiu enfrentar todos os preconceitos da sociedade por esse amor.

No dia 02 de julho de 1962 casaram-se e dessa união tiveram mais quatro filhos. Assim, Cida passou a ser Maria Apparecida Guimarães Veneziani. Moraram no Centro de São José, depois viveram um período em Caraguatatuba e voltaram para São José, onde fixaram residência no Bairro de Santana.

A zona norte de São José dos Campos foi a escolhida também para iniciar o comércio, uma espécie de lanchonete, que se manteve em atividade durante a década de 70.

Aos 65 anos, em julho de 1997, Cida sofreu uma queda, causada pela osteoporose, tendo como agravante um erro médico. Tal fato fez com que ela ficasse impossibilitada de se locomover sem o auxílio de um andador. Quinze anos depois, o desgaste dos ossos estava tão avançado que ela foi obrigada a utilizar uma cadeira de rodas.

No entanto, nada disso a impediu de continuar fazendo o que ela mais gosta: cozinhar. É claro que existem limitações e que ela necessita de ajuda, mas continua sabendo de cor várias receitas e as preparando da melhor forma possível.

Nem as dificuldades da vida e os problemas de saúde que acarretaram sua impossibilidade de locomoção a fizeram, nem por um segundo, perder o brilho nos olhos e sorriso no rosto e a hábito de chamar a todos de “meus anjos”.


Dimas Vilas Boas

Dimas Vilas Boas é jornalista, especialista em gestão de comunicação em mídias sociais, fotógrafo e empreendedor. Flerta com a fotografia social desde 2012, época em que criou a Foto Vilas Boas, até hoje em atividade. É apaixonado por música, turismo e biografias. Acredita que nasceu para empreender e aproximar pessoas por meio de uma comunicação autêntica e livre de amarras. Se considera do tipo de pessoa que passa horas ouvindo e compartilhando sobre a vida e suas inspirações, desde que – é claro – acompanhado de um bom café.

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