Afinal, o que se pode esperar do Pacaembu?

Consórcio venceu outorga no valor de R$ 111 milhões e vai administrar o histórico estádio paulistano pelos próximos 35 anos

por Dimas Vilas Boas

Icônico, palco de recordes e títulos, o estádio municipal Paulo Machado de Carvalho passou nos últimos anos por um verdadeiro imbróglio que parece, finalmente, se encaminhar para o seu final. Personagem de um grande programa de desestatizações do ex-prefeito da capital paulista e atual governador do estado, João Dória, o equipamento surgiu no Diário Oficial do Município deste sábado, 13 de abril, com um provável “novo dono”, ou pelo menos nos próximos 35 anos, período que o Consórcio Patrimônio SP tem de concessão. O valor da outorga: 111 milhões de reais, bem superior aos 37 milhões pedidos pelo governo.

Durante este tempo, o Consórcio formado pelas empresas Progen e Savona Fundo de Investimentos tem por obrigação reformar estruturas hidráulicas e elétricas, arquibancadas, pista de atletismo, banheiros, vestiários, lanchonete e geradores para evitar quedas de energia elétrica durante as partidas. Obviamente, o pacote inclui a realização de eventos esportivos e culturais.

O complexo, além do estádio, ainda inclui piscina, ginásio poliesportivo, quadras de tênis, pistas de atletismo, salas de ginástica e ambulatórios. O Museu do Futebol, inaugurado em 2008, não entrou na outorga.

Olhares atentos à vitrine: política e esportiva

Ao governo municipal, agora administrado pelo prefeito Bruno Covas (PSDB), a concessão do estádio que já passou por contestações do Tribunal de Contas do Município e protestos de associações como a Viva Pacaembu, é um suspiro de alívio em relação à uma grande vitrine da campanha de João Dória (PSDB), agora governador, que incluía desestatizar complexos como o Anhembi, o Parque do Ibirapuera e outros menores, o Autódromo de Interlagos e até terminais de ônibus, mercados e cemitérios municipais. Em tese, de todas as grandes promessas, a primeira que vingou realmente é esta. A proposta, é claro, enfrenta posicionamentos prós e contras.

Por outro lado, quem acompanha bem de perto os capítulos dessa novela são os times de futebol, que precisam resolver alguns entraves já para o início do Campeonato Brasileiro de 2019. Veja só: o Corinthians e o São Paulo, por exemplo, entregarão seus estádios à CONMEBOL para a realização da Copa América entre os dias 14 de junho e 7 de julho, e vão precisar de uma, digamos, terceira opção, já que o plano B dos quatro grandes paulistas é justamente o Pacaembu, que atualmente não passa num dos critérios exigidos pela Confederação Brasileira de Futebol: o quesito iluminação.

Palmeiras e Santos vivem situações parecidas. O primeiro tem uma casa moderna, mas frequentemente se vê obrigado a dar lugar para algo mais rentável: as turnês nacionais e internacionais que lotam o estádio, como a do ex-beatle Paul McCartney que levou em dois dias cerca de 100 mil fãs ao Allianz no mês passado. Já o alvinegro praiano tem uma situação ainda mais delicada: ao completar 107 anos neste domingo, 14 de abril, a diretoria santista vai se reunir com investidores para pensar num ousado projeto de reconstrução da Vila Belmiro e precisará de um estádio para mandar jogos no Brasileiro. O time embolsou cifras interessantes no Campeonato Paulista ao jogar na capital, algo porém que não agradou muito ao técnico Sampaoli. De qualquer forma, diretoria e comissão técnica precisarão chegar a um consenso.

Olhos atentos ao Pacaembu não faltarão: seja por parte da Prefeitura que pretende economizar milhões com a “manutenção” das instalações, visivelmente necessária e não feita durante os últimos anos; e por parte dos times que disputarão, data a data, o aluguel do estádio, que terá seus novos capítulos divulgados em breve, agora com consórcio vencedor com habilidade técnica para gerí-lo e promessas de modernizações, que diga-se de passagem, são mais que esperadas pelos times e, principalmente, pela torcida que ajuda a contar a história deste templo do futebol. Aguardemos, pois.


Dimas Vilas Boas

Dimas Vilas Boas é jornalista, especialista em gestão de comunicação em mídias sociais, fotógrafo e empreendedor. Flerta com a fotografia social desde 2012, época em que criou a Foto Vilas Boas, sua primeira empresa. Hoje, empreende na fotografia e comunicação carregando a tradição do próprio nome. É apaixonado por música, turismo e biografias. Acredita que nasceu para empreender e aproximar pessoas por meio de uma comunicação autêntica e livre de amarras. Se considera do tipo de pessoa que passa horas ouvindo e compartilhando sobre a vida e suas inspirações, desde que – é claro – acompanhado de um bom café.

, , , , , , ,