Amamentação: envolvimento gera benefícios para toda a família

Com a campanha Agosto Dourado, saiba quais são as orientações para favorecer este momento entre mamãe e bebê

Da Redação

Segurar aquele pequeno corpo no colo, sentir o calor da pele com pele, o contato olho no olho e admirar os movimentos de respiração em sintonia. Para as mamães, a amamentação costuma ser um dos momentos mais prazerosos com o bebê. Porém, no início, muitas vezes também é acompanhada de fortes dores e desconforto nas mamas. O que poucas mulheres sabem é que, para acabar com esta dificuldade e tornar esse contato ainda mais especial, o segredo é muito simples: a pega correta.

Saber a forma ideal de iniciar a amamentação é importante para evitar dificuldades logo nos primeiros dias e estimular a pega correta. Com o slogan “Empoderar mães e pais, favorecer a amamentação hoje e no futuro”, a campanha Agosto Dourado deste ano tem como foco conscientizar sobre a importância da amamentação para o desenvolvimento das crianças, além de reforçar a participação de uma rede de apoio, como pais e familiares, para garantir a amamentação exclusiva nos primeiros seis meses do bebê. A especialista Marcia Regina, enfermeira obstétrica e coordenadora do Grupo de Apoio ao Aleitamento Materno do Hospital e Maternidade São Luiz Itaim, dá dicas de como instruir a criança a pegar corretamente e aponta os benefícios do envolvimento familiar neste processo.

Preparação é tudo

Saber qual o melhor local para amamentar e estar completamente relaxada é a melhor preparação para este momento tão íntimo. “Encontre um ambiente mais tranquilo possível, pelo menos nos primeiros meses da criança, depois vá se adaptando em locais que precisa realizar outras tarefas. O ideal é que a mamãe esteja entregue a amamentação e as pessoas ao seu redor se certifiquem que ela não seja interrompida”, explica a especialista.

Observe as necessidades do bebê

Mesmo não sendo mais mamãe de primeira viagem, amamentar nos primeiros dias de vida será sempre um desafio. Segundo Marcia, cada bebê é diferente do outro, o que torna esse momento ainda mais único. “Não importa quantos filhos a mulher já tenha, pois cada criança possui hábitos e necessidades diferentes. Os intervalos das mamadas, por exemplo, são relativos. Por isso é importante não só a mamãe, mas também os familiares observarem e reconhecerem os sinais que a criança dá quando está ficando com fome”, alerta.

Esteja confortável

“Uma posição confortável para mãe traz inúmeros benefícios. Além do conforto dela, o bebê também sentirá mais confiança e pegará com mais facilidade. A mulher precisa conhecer todas elas e descobrir qual se acomoda melhor para poder passar tranquilidade”, observa Marcia. Ainda segundo a especialista, esse não é um trabalho apenas para a mamãe, o monitoramento de um profissional ou do parceiro é essencial para oferecer qualquer ajuda que ela precisar.

Estimule a pega correta

A pega correta é responsável por praticamente 100% do sucesso da amamentação. Depois de estar completamente relaxada e confortável é hora de estimular o bebê a mamar corretamente e evitar dores e desconfortos. “A criança tem que estar o mais acordada possível. Com a mão em formato de concha expondo a região da aréola, ofereça a mama para que o bebê abocanhe todo mamilo e parte da aréola”, recomenda. Como um exercício de rotina, além do estímulo, é preciso monitorar a sucção. O movimento de ordenhar feito com a própria língua deve ser longo e pausado. De acordo com a consultora, é fácil reconhecer quando está sendo feito corretamente. Não pode haver covinhas nas bochechas e fazer barulho, pois significaria que ele estaria sugando apenas ar, ao invés do leite.

Delegue as atividades

Além da amamentação bem-sucedida, o estímulo do aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses e de forma complementar até aos dois anos de idade também deve ser uma tarefa engajada por todos. Assim como o tema da campanha Agosto Dourado deste ano, Marcia também ressalta a importância do envolvimento familiar neste processo e como isso deve ser feito. “É importante que os pais também participem desta rotina. Delegar algumas funções como arrumar o local da amamentação, colocar o bebê para arrotar e trocar as fraldas é essencial para que todas as responsabilidades não fiquem apenas com a mãe”.

Alguns treinamentos são voltados exclusivamente para tirar essas e outras dúvidas. O Hospital e Maternidade São Luiz Itaim, por exemplo, oferece serviços de orientação para a mamada correta, com profissionais que monitoram desde a internação até a amamentação após a alta. Além disso, disponibiliza um curso de engajamento de companheiros para aprenderem passo a passo todos os cuidados com o bebê nos primeiros dias de vida.

Amamentação auxilia no desenvolvimento cognitivo do bebê

Os benefícios da amamentação na saúde do bebê vão além do fortalecimento imunológico que o protege de doenças e problemas futuros. Classificado como o principal alimento nutricional, o leite materno pode auxiliar também um no desenvolvimento cognitivo aos pequenos, ou seja, interferindo positivamente na melhora da habilidade de aprendizagem e processamento de informações.

Segundo a pediatra do Hospital Edmundo Vasconcelos, Mariana Jordão, o processo da formação cognitivo está relacionado a fatores genéticos e ambientais, e é neste segundo quesito que se encaixa a amamentação. “Existem estudos que apresentam esta relação positiva pelo leite possuir a composição necessária ao bebê, principalmente nos seis meses de vida e fazendo-se complementar até os dois anos de idade, quando se tem o maior desenvolvimento neuropsicomotor”, complementa.

Entre esses estudos citados está o da Universidade Federal de Pelotas, que acompanhou quase 3.500 recém-nascidos desde 1982 até os 30 anos, e identificou que os participantes que foram amamentados por 12 meses apresentaram maior QI e renda mensal do que os que somente receberam o leite materno por menos de um mês.

O bom resultado neste meio pode estar correlacionado a alguns componentes do leite, como os ácidos graxos, que na maioria das vezes não são encontrados em fórmulas suplementares. Mariana esclarece que essas substâncias, como o ácido aracdônico, proveniente do Omega 6 e o DHA, oriundo do Omega 3, têm papel importante no processo cognitivo.

“Esses ácidos graxos atuam na construção das membranas celulares, principalmente das células da retina, propiciando uma melhor visão, e do sistema nervoso central. Eles se acumulam rapidamente nestes sistemas principalmente nos último trimestre da gestação e nos primeiros meses de vida”, reforça.

Além do fator químico do leite, o contato entre mãe e bebê tem parcela importante neste processo, permitindo uma redução de estresse e irritabilidade, e melhora na interação social. “Esses aspectos também influenciam. Somente o cheiro da mama da mãe já induz uma resposta da criança, e com isso favorecendo a relação entre os dois. Esse relacionamento ajuda no avanço neurológico, e consequentemente no desenvolvimento cognitivo”, finaliza.

, , , , , , ,