Antes da próxima folia, saiba o que acontece quando você mistura álcool e medicamentos ou toma um “kit ressaca”

Conselho Regional de Farmácia de SP chama atenção para a combinação que pode causar danos graves e levar à internação

por outrosquinhentos.com

O Ministério da Saúde apontou que 34,2% dos homens de 25 a 34 anos e 18% das mulheres de 18 a 24 anos fazem uso abusivo de álcool. No Carnaval, a prática tende a aumentar e pode ser muito perigosa se associada ao uso de medicamentos. Mesmo com o fim da folia, a grande quantidade de feriados e descansos prolongados em 2020 faz com que importantes esclarecimentos, como o do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo, CRF-SP sobre os riscos à saúde da combinação entre álcool e medicamentos, sejam necessários.

Então, quais as principais interações medicamentosas com álcool causam efeitos colaterais no corpo? Confira:

COM CALMANTES

A ação do álcool com os medicamentos que agem no sistema nervoso central (SNC), como os barbitúricos e benzodiazepínicos pode acarretar o aumento do efeito sedativo, possibilidade de coma e insuficiência respiratória.

COM ANTIBIÓTICOS

Dependendo do antibiótico, essa combinação pode levar a efeitos graves do tipo antabuse, como taquicardia, rubor, sensação de formigamento, náusea e vômito. Há a recomendação, inclusive, de que se deve aguardar por três dias após tratamento com metronidazol para voltar a beber álcool. Outros antibióticos que podem potencializar o efeito de hepatotoxicidade quando se ingere álcool são a eritromicina, rifampicina, nitrofurantoína.

COM ANTICONVULSIVANTES

Mais efeitos colaterais e risco de intoxicação. Também há risco de diminuição na eficácia contra as crises de epilepsia.

COM ANTI-INFLAMATÓRIOS NÃO ESTEROIDAIS

Aumentam o risco de úlcera gástrica e sangramentos como, por exemplo, o ácido acetilsalicílico, ibuprofeno e diclofenacos. Recomenda-se atenção máxima quando se constatar fezes escurecidas (sangrentas), tosse com sangue ou vômito que aparente borra de café. Devem procurar o serviço médico pois esses podem indicar hemorragia no estômago.

COM ANTI-HIPERTENSIVO

Com substâncias como o atenolol, pode ter efeitos aditivos em diminuir a pressão arterial. O indivíduo pode sentir dor de cabeça, tonturas, vertigens, desmaios e/ou alterações no pulso ou frequência cardíaca. Esses efeitos secundários são mais susceptíveis de serem vistos no início do tratamento, após um aumento da dose, ou quando o tratamento é reiniciado depois de uma interrupção.

COM ANTIALÉRGICOS

Aumenta o efeito sedativo e pode causar tonturas e desequilíbrio. Anti-histamínicos e álcool podem gerar efeitos indesejáveis como, por exemplo, no caso do uso de dextrometorfano e prometazina, que pode aumentar os efeitos secundários do sistema nervoso, como tonturas, sonolência e dificuldade de concentração. Algumas pessoas também podem sofrer confusão e prejuízo na capacidade de julgamento, bem como comprometimento na coordenação motora. Portanto, deve-se evitar ou limitar o uso de álcool durante tratamento com dextrometorfano.

COM ANTIDIABÉTICOS

Também pode causar efeito antabuse (náuseas entre outros). Uso agudo de etanol prolonga os efeitos enquanto que o uso crônico inibe os antidiabéticos.

COM PARACETAMOL

Pode causar sérios efeitos colaterais que afetam o fígado. Deve-se procurar o serviço médico imediatamente se sentir febre, calafrios, dor nas articulações ou inchaço, cansaço excessivo ou fraqueza, sangramento anormal ou hematomas, erupção cutânea ou prurido, perda de apetite, náuseas, vómitos ou amarelecimento da pele ou da parte branca dos olhos.

CAFEÍNA

A cafeína também é um diurético e o seu abuso em conjunto com o álcool pode levar a desidratação e piorar os sintomas da ressaca no dia seguinte.

Consumo abusivo do álcool 

É considerado ‘uso abusivo de álcool’, a ingestão de quatro ou mais doses entre as mulheres e cinco ou mais doses de bebidas alcoólicas entre os homens, em uma mesma ocasião, nos últimos 30 dias. O Ministério da Saúde alerta que o consumo de qualquer tipo de bebida alcoólica pode trazer danos imediatos à saúde ou a médio e longo prazo. O uso abusivo de álcool é uma pauta intersetorial e também um fator de risco que influencia negativamente dois aspectos: aumento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs); e o aumento de agravos, como acidentes e violência.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), não existe volume seguro de álcool a ser consumido, porque ele é tóxico para o organismo humano e pode provocar doenças mentais, diversos cânceres, problemas hepático, como a cirrose, alterações cardiovasculares, com riso de infarto e acidente vascular cerebral e a diminuição de imunidade. Além de ser responsável por episódios de violência física contra si ou contra outras pessoas.

‘Kit antirressaca’ é irregular e antiético

Não apenas no Carnaval, mas em todos os momentos, o farmacêutico deve alertar os pacientes sobre o risco do consumo de medicamentos sem orientação. Nessa época de Carnaval, em especial, o CRF-SP chama a atenção para a venda nas farmácias do chamado “kit antirressaca”, ou seja, uma combinação de medicamentos isentos de prescrição médica para ser ingerida após o abuso da bebida alcoólica.

Além de antiética, esse tipo de venda é irregular, já que os medicamentos são bens de saúde e não mercadorias que possam ser oferecidas da mesma maneira que outros produtos sujeitos às regras do livre mercado. Propagandas de tais kits estimulam o uso indiscriminado de medicamentos, sem o devido acompanhamento de um profissional de saúde e sem considerar as reais necessidades do paciente e eventuais contraindicações.

Entre os medicamentos mais procurados estão analgésicos, antiácidos e hepatoprotetores. Ao montar “kits”, as farmácias constituem uma nova embalagem, novo produto, num formato não aprovado pela autoridade sanitária.

De acordo com a Lei nº 8.078/90, que dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras providências, são direitos básicos do consumidor a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos.

Essa legislação cita como abusiva, a publicidade que seja capaz de induzir o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa a sua saúde ou segurança. Além disso, são abusivas as divulgações que se prevalecem da fraqueza ou ignorância do consumidor, tendo em vista sua idade, saúde, conhecimento ou condição social, para impingir-lhe seus produtos ou serviços.

A orientação do CRF-SP é que o farmacêutico oriente, sempre, o consumidor que vier ao estabelecimento à procura de medicamentos isentos de prescrição e não participe de práticas que induzam o uso indiscriminado de medicamentos.

, , , , , , , , , , , , , , , , , ,