Assessor x repórter: Uma relação de amor e ódio. Como melhorar essa comunicação?

por Daniela Santos, para outrosquinhentos.com*

“Seja simpático, educado e gentil”, “por favor”, “grata pela atenção” e “obrigado” são frases que estamos habituados desde crianças. Quem nunca ouviu e aprendeu esses conceitos com os pais e seus responsáveis, ou na escola? No primeiro momento pôde parecer que essas “regrinhas” eram uma chatice, que não faziam diferença. Um verdadeiro clichê, mas não se engane: Esses ensinamentos de berço têm um valor inestimável, meus amigos. Para a vida e, principalmente, na profissão.


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Uma pesquisa realizada pelo grupo Comunique-se, intitulada “Jornalistas de redação na visão dos assessores de imprensa” (2021), que entrevistou mais de 800 profissionais da área da comunicação, pontuou alguns detalhes imprescindíveis na hora de consolidar um bom relacionamento neste meio. Vamos a eles:

Assunto do e-mail

Neste campo, o ideal é que o tema seja chamativo e objetivo e fique na casa dos 20 a 40 caracteres. Outra dica é já pensar num possível título para a matéria. Já ajuda e, muito! o repórter. E, ah, não aposte no sensacionalismo.

Trabalho de um complementa o outro

Para 50,8% dos profissionais entrevistados, os assessores são primordiais no trabalho enquanto 42,6% disseram que, às vezes, eles atrapalham. Bom senso, pessoal! Lembrem-se de que um não coordena o trabalho do outro e sim auxilia, dá sugestões. Somando as duas funções o resultado sai excelente.

Atendimento de qualidade

Dê atenção ao repórter. Tenha em mãos, quando possível, informações sobre o jornalista e empresa que ele (a) trabalha na hora de enviar uma pauta, para evitar constrangimentos. Atente-se ao deadline de quem está na redação. Negocie, se possível. Tenha informações além do que lhe foi pedido. Pode ser bem útil na reportagem. A construção de um bom relacionamento vem com o tempo, mas precisamos ser prestativos.

Releases

Mandar ou não mandar? É legal ter um release bem embasado em pesquisas, fontes e dados relacionados ao assunto que você vai sugerir para a pauta, no entanto alguns repórteres preferem que o primeiro contato seja feito diretamente pelo telefone e/ou whatsapp.

Não prometa uma exclusiva se não for verdade

É muito comum o assessor comunicar que ele está sugerindo aquele assunto mega bacana apenas para você, o que é chamativo. Quem não quer dar um furo de reportagem, correto? Mas se a informação não for verdadeira e você já tiver oferecido o conteúdo para outros profissionais, não minta. Pode queimar você e, segundo pesquisa do “Comunique-se”, é o comportamento que mais irrita quem recebe as sugestões (12,87%).

Ligue na hora certa

As redações ficam uma loucura o dia todo (sobretudo em empresas que trabalham com factuais), porém o período da manhã costuma ser ainda mais intenso. Procure ligar entre às 15h e 17h.

Insistência

Seja persuasivo e argumente os porquês de aquela ser uma boa pauta, mas não fique insistindo, pois poder ser um tiro no pé. Tentou e viu que não vai rolar, opte por outro veículo.

Follow up

Nesta mesma pesquisa, jornalistas responderam qual melhor dia para o follow up. A maior parte (41%) informou que pode ser qualquer um, menos nos fins de semana, sendo segunda-feira o dia votado (13%).

Atenção

Seja prático e não perca tempo enviando pautas para profissionais de editorias que não têm nada a ver com seu foco.

Recursos multimídia

Leve em consideração o tipo de veículo que está enviando uma pauta e encaminhe, junto ao seu texto, imagens, vídeos e gráficos.

Crie conexões

Hoje em dia, muitos de nossos contatos são por meio das redes sociais. Portanto, aproveite essas ferramentas para criar conexões com quem está do outro lado. Não é para ser forçado e sim natural. Um exemplo: Se você sabe que fulano gosta de cinema e você também curte, por que não trocar figurinhas? É tão simples e verdadeiro e é uma forma de criar um vínculo.

Não há uma receita com ingredientes infalíveis. Seres humanos e suas relações são complexas, mas se cada um de nós fizer a nossa parte, com certeza, os conflitos serão imensamente menores. Ótimas pautas a todos nós.

*Os textos dos colunistas são de responsabilidade de seus autores e não necessariamente expressam a opinião de outrosquinhentos.com

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