Câncer de mama: mitos e verdades

Médica Débora Gagliato, oncologista da BP e especialista em câncer de mama, esclarece as principais dúvidas da doença

Da Redação | outrosquinhentos.com | São Paulo
26/05/2022 18h44

O Brasil deve registrar este ano mais de 66 mil novos casos de câncer de mama, de acordo com dados do INCA (Instituto Nacional do Câncer). Os médicos alertam, entretanto, que a identificação da doença tem ocorrido nas formas mais avançadas, devido a um diagnóstico mais tardio após dois anos de pandemia e a postergação de exames.

A médica oncologista Débora Gagliato, especializada em câncer de mama do Centro de Oncologia e Hematologia da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, um dos principais hubs de saúde do país, esclarece alguns dos mitos e verdades mais disseminados sobre a doença e faz um alerta: “A paciente não precisa ter medo da doença. Hoje a cura do câncer de mama é uma realidade para a grande maioria dos tumores detectados precocemente. Por isso, é importante realizar regularmente os exames”.

O câncer de mama atinge mais quem tem histórico familiar da doença.

VERDADE. O histórico familiar é um fator de risco para o desenvolvimento do câncer de mama. Principalmente parentes de 1º grau acometidos com a doença constituem um fator de risco, mesmo que às vezes o indivíduo não tenha outros fatores de risco adicionais. Quem tem histórico familiar precisa ficar mais atento.

Todo caroço na mama é câncer.

MITO. Existem muitas alterações que parecem um nódulo na mama nas apalpações, mas são alterações benignas, como por exemplo, na mulher que está amamentando, uma mastite, um empedramento do leite, um cisto ou uma alteração benigna como fibroadenoma.

Mulheres que começam a menstruar muito cedo ou são mães tarde têm maior probabilidade de desenvolver a doença.

VERDADE. Esses são dois fatores de risco realmente assumidos para o câncer de mama: as mulheres que têm a menarca (a primeira menstruação) muito jovem e as que são mães após os 35 anos de idade. Isso marca uma exposição maior aos ciclos menstruais e à exposição ao estrógeno.

Anticoncepcionais que interrompem a menstruação são eficazes na prevenção do câncer de mama.

MITO. Os anticoncepcionais são reconhecidos como medicações que aumentam o risco de câncer de mama. Esse aumento do risco é relativamente pequeno e depende da idade de início do anticoncepcional, da duração da exposição ao medicamento, por isso as mulheres devem discutir com seus ginecologistas os prós e contras do seu uso.

Amamentar protege o câncer de mama.

VERDADE. A amamentação é um fator protetor contra o câncer de mama. Quanto mais jovem a mulher for ao amamentar e quanto maior o tempo passar amamentando, maior a proteção.

Atividades físicas ajudam a prevenir o câncer de mama.

VERDADE. Estudos apontam que indivíduos saudáveis que praticam exercícios físicos regulamente têm um menor risco de desenvolver câncer de mama, dentre outras neoplasias.

Mulheres obesas são mais suscetíveis à doença.

VERDADE. A obesidade é um fator de risco relacionado ao câncer de mama, principalmente em mulheres na pós-menopausa. Na pré-menopausa também há algumas associações do risco de desenvolvimento da doença e um subtipo de câncer de mama um pouco mais agressivo, chamado Triplo Negativo.

Terapia de reposição hormonal pode ser um fator de risco.

VERDADE. Assim como o anticoncepcional oral, quando a mulher entra na menopausa e passa a suplementar com hormônios femininos – estrógeno mais progesterona conjugada – esse é um fator de risco importante. O risco relativo do uso de terapia de reposição hormonal depende da duração do uso e da composição da reposição hormonal.

Já há uma vacina contra o câncer de mama.

VERDADE. O arsenal terapêutico contra o câncer de mama vem aumentando bastante. No combate à doença, temos não só a quimioterapia e a terapia anti-hormonal, mas medicamentos que são considerados como se fossem vacinas, anticorpos que bloqueiam algumas proteínas que podem estar expressas em algum subtipo de câncer de mama, além da imunoterapia e medicações.

O câncer de mama tem cura.

VERDADE. Com certeza. A chance de uma mulher ficar curada quando é diagnosticada com câncer de mama depende de vários fatores, dentre os quais, o estadiamento da doença (o quão localizada ela está), se tem acometimento do linfonodo, o tratamento recebido e a sequência e medicações corretas que impactam profundamente a cura. Hoje em dia, a grande maioria das mulheres com câncer de mama conseguem ser curadas.

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