Ela descobriu o câncer de mama no último estágio e hoje conta sua história para encorajar mulheres na luta contra a doença

Em 2016 descobri o câncer de mama. Eu tinha 30 anos e mesmo sem histórico familiar, percebi através do auto exame de mama um carocinho bem pequeno

por Vanessa Pessôa, para outrosquinhentos.com*

Minha ex mastologista não me levou a sério, não acreditou na minha suspeita. Depois de três meses de insistência, eu exigi uma biópsia. Ela contrariada me deu e disse que eu era neurótica e que isso era coisa da minha cabeça, que eu havia batido em algum lugar dando aula, pois sou professora de educação física).

Pois bem, fiz o exame e veio o resultado: Câncer de mama Maligno Birads 6, o que é considerado o último grau.

Fiquei com medo? No início fiquei sim, não vou mentir, mas levantei a cabeça e decidi enfrentar essa batalha junto de pessoas que me amam. E é claro, troquei de médica! Insistam sempre numa segunda opinião quando for necessário!

Ainda em 2016, em 14 de setembro, fiz a cirurgia de mastectomia, onde retirei a mama direita toda. Para a minha alegria, foi feita a reconstrução imediata, colocando prótese de silicone e uma parte do grande dorsal.

Em 2017, em 28 de agosto, fiz a simetrização. O que é isso? Eu operei o lado oposto do que tive o câncer, colocando prótese de silicone (para não ter que ficar um seio apontando para o norte e o outro para o sul, risos) igualando os seios e esvaziando um pouco as glândulas, pois quando o meu médico abriu o seio para colocar a prótese, ele avistou nódulos que no exame não tinham sido detectados).

Em 2018, em junho para ser mais exata, eu reconstruí o mamilo e auréola com pele da virilha. Vou dizer pra vocês que ficou a coisa mais linda e perfeita desse mundo. Eu nem fiz tattoo!

O que mudou na minha vida?

Tudo! Aprendi a valorizar mais a vida. Aprendi que não devemos nos estressar por besteira. Aprendi que a vida é curta demais e devemos aproveitar tudo como se fosse a última coisa que a vida tem a nos oferecer. Aprendi a falar tudo o que tenho vontade e não guardo mais sentimento. Meu esposo brinca que tem até medo quando abro a boca, risos.

Vida após o câncer de mama

A única coisa que eu vejo ser diferente após passar pelo câncer de mama, é que temos a rotina de fazer exames periódicos de seis em seis meses. Fazer os exames é super tranquilo, porém esperar pelo resultado é algo bem tenso. Mas procuro sempre manter bons pensamentos.

A promessa

Ter fé é algo muito importante nesses momentos. Em meio à luta, passei a me abrir para receber tudo de bom que as pessoas me desejavam, independente da religião: aceitei todas as orações e eu ouvia todo dia uma música que uma amiga mandou. E até hoje eu sou grata por Deus ter sido tão bom comigo.

Antes de operar, fiz uma promessa. Não queria prometer nada como subir a escadaria da Igreja da Penha, no Rio de Janeiro, local comum para os pagadores de promessa retribuírem o bem que receberam. Nem parar de comer chocolate, algo que amo.

Então, decidi ajudar as pessoas dando informações sobre o câncer de mama: fiz um grupo, onde todo dia eu postava uma notícia, uma informação, uma experiência minha… E com o tempo o grupo foi crescendo, graças a Deus.

Hoje faço o papel de administradora, aprovando a entrada de pessoas, mantendo as regras de convivência e fazendo a moderação das postagens. Todo dia alguém posta algo, pergunta, pede ajuda…

São três grupos em duas redes sociais diferentes. Os participantes contam sobre sua experiência, tiram dúvidas, se apoiam e ajudam quem mais precisa.  E também possuo um grupo só para as cariocas, no qual combinam encontros presenciais para compartilhar histórias e experiências. O nome do grupo no Facebook é Câncer de Mama e no Instagram é @cancerdemama01.

Reconhecimento

Hoje tenho várias matérias publicadas sobre a minha história e também consigo matérias para as meninas do grupo (isso faz com que essas guerreiras fiquem motivadas).

Em outubro de 2018 ministrei junto com a minha mastologista uma palestra sobre o câncer de mama e fui indicada pelo meu oncologista para participar com ele de um Congresso Internacional de Oncologia em novembro de 2018. Desde então recebo muitos convites para participar de eventos com o objetivo sempre de ajudar.

Fui convidada para ser coautora de um livro. Nessa pandemia convidada para algumas lives. E sigo nesse caminho com muito prazer.

Como foi o processo? E o tratamento?

Graças a Deus, não precisei fazer quimioterapia e radioterapia. Como fiz mastectomia da mama toda e no exame de Linfonodo sentinela meus linfonodos deram negativos, eu fiquei livre da quimioterapia e radioterapia, porém faço uso contínuo de um bloqueador hormonal, que na verdade induz a menopausa, o famoso Tamoxifeno.

Propósitos

Aprendi que tudo em nossa vida é feita de propósitos.

Fui diagnosticada com câncer de mama em 2016, havia acabado de passar para Marinha. Fui reformada pois neoplasia maligna consta no estatuto militar.

Logo depois, minha avó foi diagnosticada com câncer no intestino e estava bem avançado. Foram dois anos de luta e ela partiu em junho de 2019. Se eu não tivesse sido diagnosticada não poderia ter dado apoio a minha avó.

O que eu posso passar de mensagem?

Tudo na nossa vida acontece porque papai do céu tem um propósito pra cada um e cabe a nós aceitar e entender o porque desse propósito. Enfrente essa batalha e depois tenha orgulho de dizer a todos que você venceu! E se cuide! Prevenção é tudo! Quanto mais cedo você descobre, maior a eficácia e sucesso no seu tratamento.

*este conteúdo é uma contribuição de Vanessa Pessôa, disseminadora da prevenção ao Câncer e criadora de conteúdo digital em comunidades do facebook e instagram.



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