Câncer de testículo: Cinco dúvidas comuns que ninguém pergunta

Apesar de ser considerado um dos cânceres com maior chance de cura, o preconceito, a vergonha e o machismo podem atrapalhar o tratamento

Da Redação

De acordo com o Instituto do Câncer (INCA), o câncer de testículo é considerado raro, correspondendo a 5% do total de casos de câncer entre os homens e afeta principalmente homens em idades férteis. Apesar de ser agressivo, quando detectado precocemente pode ser facilmente curado por responder bem aos tratamentos quimioterápicos.

O oncologista Marcelo Aisen do Centro Paulista de Oncologia (CPO) – unidade de São Paulo do Grupo Oncoclínicas explica que ainda não há uma forma de prevenir o tumor de testículo e que a doença está relacionada a crianças que já tiveram criptorquidia, disfunção congênita em que o testículo nasce dentro do corpo, ou seja, fora de posição normal. “Seus sintomas são aumento de testículo, acompanhado ou não de dor. Muito comum que os homens o descubram no banho, durante a higiene. Apesar de esporádico, meninos que apresentaram a criptorquidia têm maior chance de desenvolvimento da doença e seus pais devem ficar atentos a qualquer alteração no testículo dos filhos”, explica.

A falta de informação e o preconceito são os maiores obstáculos da doença. “O homem não tem o hábito de procurar um médico quando nota algo estranho com o seu corpo e quando falamos de câncer de testículo ou próstata, o cenário só piora”, explica Aisen.

Para desmistificar a doença, o especialista esclarece dúvidas que muitos homens têm vergonha de levar para o consultório.

Achei um nódulo nos testículos, é câncer?

Depende, mas a presença de um nódulo é um sinal para procurar um urologista. “Todo nódulo encontrado no testículo pode ser um câncer sim, mas só é possível ter um diagnóstico após uma avaliação microscópica do tumor”, o câncer de testículo se apresenta com nódulo endurecido, porem só o medico consegue diferenciar, com exame clínico e de imagem adequado. Há outros problemas que podem resultar em um volume testicular, como as infecções, torção, hérnias e cistos de epidídimo. Por isso é recomendado procurar a ajuda de um especialista.

É preciso retirar o testículo no tratamento?

A escolha do procedimento ideal depende do estágio do tumor. “A cirurgia é geralmente a primeira etapa realizada para todos os cânceres sim, mas pode ser associada à quimioterapia ou radioterapia durante o processo”. A cirurgia é curativa e mesmo nos estadiamentos mais avançados a quimioterapia também cura

Pancadas podem causar a doença?

Não há nenhuma relação entre pancadas no local com o desenvolvimento do câncer. “Por alguns atletas terem tido a doença, muitos pacientes acreditam que o câncer pode ter aparecido devido a algum trauma no local, mas não há ligação”.

A criptorquidia é o único fator de risco e como ainda não há uma forma de prevenção da doença, o autoexame é um grande aliado para a detecção precoce.

Isso vai atrapalhar minha vida sexual?

Se for preciso retirar um testículo ou até mesmo os dois, isso não afeta diretamente a capacidade do homem ter uma vida sexual ativa. A diferença é que, se ambos os testículos forem retirados, o homem torna-se estéril e não produzirá mais testosterona.

“Para solucionar essas questões o homem pode optar por uma prótese testicular no escroto e também realizar terapia hormonal sob a forma de gel ou adesivo. De forma direta, isso não afeta a capacidade dele manter relações sexuais”, com as protses novas, não há como perceber a diferença entre a mesma e o testículo, portanto a vida sexual ficara mantida.

Posso ter filhos após o tratamento?

Em geral, os tratamentos podem acabar induzindo a infertilidade e pelo câncer afetar principalmente homens em idade fértil é recomendado que se discuta com o médico sobre a melhor opção. “Antes de começar o tratamento, podem conversar sobre a possibilidade de realizar uma cirurgia que poupe os nervos ou banco de esperma”, a opção de congelar espermas para uma possível fertilização in vitro

Também é aconselhado que o homem só tenha filhos de um a dois anos após o fim do tratamento.

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