Cartão de crédito é principal dívida de 81,8% das famílias

Cartão de crédito tem sido mais utilizado para protelar despesas cotidianas, segundo mentora em finanças Silvia Machado

Da Redação | outrosquinhentos.com | São José dos Campos | Foto de Capa: Guzmán Barquín/Unsplash

Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), aponta que em junho de 2021, 81,8% das famílias brasileiras têm como principal tipo de dívida o cartão de crédito.


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O uso do cartão de crédito e, consequentemente maior volume de dívidas, pode estar relacionado às fragilidades no mercado de trabalho, por conta da pandemia da Covid-19, inflação elevada e menor valor do auxílio emergencial neste ano.

Para a mentora em finanças Silvia Machado, famílias tem recorrido ao limite do cartão de crédito para protelar despesas cotidianas. “As pessoas já tinham dívidas anteriores. Tiveram redução de receitas. A situação econômica não melhora e usam o cartão de crédito como solução, postergando para o mês seguinte a dívida”, afirma.

“O grande número de famílias que apontam ter dívidas no cartão de crédito mostra exatamente isso, vão tentando empurrar as contas para o mês seguinte. Mas o que acontece é que se não tem dinheiro neste mês para quitar os débitos, no mês seguinte, como a situação ainda não estará melhor, só aumenta o problema. Porque vai pagando pelo cartão de crédito e, quando olha a fatura no mês seguinte, a dívida é ainda maior”, complementa.

Silvia alerta para o uso do cartão de crédito com muito planejamento. “Os juros dos cartões de crédito, assim como do cheque especial, são os mais caros existentes hoje. Tente gastar no cartão apenas o valor que consegue realmente pagar no mês seguinte. Deixar de pagar ou parcelar a dívida na fatura posterior pode comprometer ainda mais”, comenta.

A pesquisa da CNC mostra ainda que sete em cada 10 famílias encerraram o semestre com dívidas em cheque pré-datado, cartão, cheque especial, carnê de lojas, crédito pessoal ou consignado, prestação de financiamentos de carros e imóveis.

Este índice de endividamento aumentou 1,7 ponto percentual em relação a maio de 2021 e teve a maior elevação mensal desde março de 2017.

Percebemos ainda que com as facilidades em crédito, as pessoas estão buscando mais financiamentos, consignados. A taxa Selic – apesar de ter reajuste recentemente – ainda está mais baixa do que anos anteriores e isso tende a atrair mais pessoas ao crédito.

Só que não podemos esquecer que a nossa renda diminuiu e não há previsão de melhora significativa para os próximos meses.

Esse índice de endividamento é preocupante porque se você ganhava R﹩ 1200 e agora recebe R﹩ 1000, faz um empréstimo para conseguir quitar suas dívidas, com parcelas de 30% do seu salário, no próximo mês terá o comprometimento financeiro e somente receberá R﹩ 700.

Por mais tentador que possa ser a oferta de crédito, o ideal é rever o planejamento financeiro.

Dicas para reduzir dívidas

1- Faça um planejamento de todas as despesas;

2- Calcule taxas dos empréstimos que paga atualmente e veja se é vantagem fazer a portabilidade;

3- Mesmo com dívidas, tente guardar um pouco ao mês; assim é possível renegociar, tendo uma pequena quantia para dar de entrada;

4- Evite pagar o mínimo na fatura do cartão de crédito; as taxas de juros dos cartões são as mais elevadas;

5- Se for preciso, analise a possibilidade de um empréstimo pessoal para quitar a dívida com o cartão (Essa pode ser a solução visando ter juros menores)

6- Cancele despesas sem utilidade: uma assinatura de revista digital, aquele serviço de streaming que pouco utiliza.

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