Colegas criam campanha para ajudar fotógrafo Lilo Clareto, internado em estado grave com COVID-19

Entre as ações da campanha, foi lançada uma loja de fotos virtual para custear o tratamento de Lilo Clareto, que se encontra internado em estado grave em hospital particular em SP

Da Redação | outrosquinhentos.com

Lilo é mais uma vítima da Covid, mas uma rede de amigos se uniu para garantir a ele um tratamento que possa representar um diferencial à sua sobrevivência.

Entre as ações, foi lançada essa semana uma loja virtual (www.liloclareto.myshopify.com) para a venda de fotos do fotógrafo, considerado um “poeta das lentes”, dada a sua sensibilidade de captar a essência das coisas na sua objetiva.

Ele dedica sua vida a denunciar as desigualdades e violações dos direitos humanos no Brasil, com suas fotos extraordinárias. Vítima de covid-19, em estado muito grave, Lilo agora é vítima das desigualdades e violações que sempre denunciou.

Radicado em Altamira, desde 2017, onde escolheu viver para melhor cobrir as violações cometidas contra a floresta e os povos originários, Lilo Clareto possivelmente se contaminou ao documentar a crise humanitária, na Volta Grande do Xingu, na Amazônia.

Internado na UTI do Hospital Regional Público da Transamazônica, em Altamira, desde o dia 14 de março, no domingo, 21, a situação de Lilo, porém, se agravou. E ele precisava de uma UTI com mais recursos. Foi transferido para São Paulo e, desde então, está internado em estado grave no Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Lilo só conseguiu fazer esse movimento porque amigos, de todo o Brasil, se uniram numa rede de cuidado e afeto para somar esforços e arrecadar doações. Criou-se a “Rede de Amigos do Lilão”. E ela só cresce.

Por esse esforço coletivo, intenso e incansável, a Rede conseguiu contratar um profissional que acompanhava o caso por telemedicina e, também, uma médica intensivista que viajou de São Paulo até Altamira para acompanhá-lo.

Foram complementados exames e medicamentos. E a Rede conseguiu bancar a transferência para São Paulo em avião fretado. Agora, porém, o dinheiro acabou, e Lilo segue intubado, em estado grave, precisando de tudo o que a medicina consegue fazer por uma doença tão nova.

É esse Lilo Clareto, necessário ao mundo, que a campanha 20×20 Galeria Solidária vem resgatar. As fotos desta galeria, além da sua condição artística e histórica, por retratarem uma época, um período e uma condição sociocultural e ambiental, são de uma qualidade técnica que simplesmente as tornam obras de arte para apreciador nenhum botar defeito.

“O objetivo é ajudar no tratamento do fotógrafo Lilo Clareto, mas, com certeza, quem adquirir essas fotos, se tornará proprietário de uma bela obra de valor artístico, histórico e cultural”, diz a publicitária e jornalista Inês Costa, irmã de Lilo Clareto.

20X20 Galeria Solidária

Cada foto pode ser adquirida pelo valor de R$ 220,00 (todas as despesas inclusas), e podem ser visualizadas e escolhidas no Instagram @galeriasolidariadefotografia ou direto na loja virtual, criada para facilitar a compra: www.liloclareto.myshopify.com .

Todos os recursos arrecadados serão usados para cuidar do Lilo e da sua família enquanto ele luta pela vida. O interessado recebe uma cópia em jato de tinta, papel 100% algodão Hahnemühle Photo Rag, 308g, no tamanho 20x20cm, carimbada em alto relevo com a marca d’água da 20 X 20 Galeria Solidária de Fotografia.

https://www.instagram.com/galeriasolidariadefotografia

Loja virtual: www.liloclareto.myshopify.com

Lilo Clareto, um poeta das lentes

Maurilo Clareto, o Lilo – apelido que traz da infância e como é chamado por todos que o conhecem – abraçou a fotografia por volta dos 15 ou 16 anos, quando foi trabalhar no tradicional estúdio de fotos campineiro, Foto Ferrari.

Ele sempre conta que, dentro do laboratório, quando viu a magia de uma imagem se revelar pela primeira vez, teve uma catarse.

A partir daí, nasceu o Lilo Clareto fotógrafo! Ou renasceu, porque dentro dele, uma paixão repousava. Na infância, outro irmão da linhagem dos treze filhos de Dona Geraldinha e seo Antonio Clareto, o Expedito Clareto, então estudante de jornalismo em Belo Horizonte, surgia, durante o período de férias, no sítio em que moravam na cidade mineira de Passos, com uma câmera fotográfica da marca Flika.

Na descrição do Lilo, uma caixa de plástico preto, com uma lente, bem rudimentar – coisa barata – , que funcionava muito bem. Usava filmes 120 e gerava negativos grandes, 6×6, como ele gosta de detalhar. Na sua lembrança de menino dos seus quatro ou cinco anos, o irmão o deixava usar – ou talvez ele o fizesse de enxerido mesmo. “A minha primeira influência no rumo da fotografia”, crava.

Enquanto laboratorista, passou pelo também por outro conhecido estúdio da época, Profcolor, ao mesmo tempo em que iniciou o curso de Publicidade e Propaganda na Puccamp, quando descobriu a fotografia publicitária, tendo trabalhado com grandes nomes da publicidade campineira.

Já formado, paradoxalmente, trocou a publicidade pelo jornalismo, aproveitando uma oportunidade que surgiu de trabalhar no extinto jornal Diário do Povo. Logo de cara, fez uma foto que chamou a atenção do então editor-chefe do jornal, nos idos de 1988, e que lhe valeu uma menção honrosa em uma premiação de fotojornalismo. “Ali, já me acreditei repórter fotográfico”.

Quem conhece o Lilo sabe bem que sua alma de artista faz com que ele tenha muita dificuldade em planejar de forma cartesiana seus próximos passos. E foi assim que a vida o levou para São Paulo. Já estava a caminho sua primeira filha, Beatriz, hoje com 31 anos (ele também é pai do Fran e da Gaby).

Casou-se com Lia Alcântara e iniciou uma série de trabalhos como free-lancer no Diário Popular, até ser contratado pelo O Estado de São Paulo, o Estadão. Ficou por 15 anos nessa casa, onde ganhou um dos mais importantes – mas não o único – prêmios da vida profissional de um jornalista: a Estatueta Líbero Badaró, maior orgulho da sua vida.

Foi por uma reportagem de uma desocupação, em que a polícia invadiu o local e, no confronto com moradores, uma pessoa foi morta ao seu lado. Apesar do prêmio, até hoje, humanista que é, tem uma lembrança muito angustiante do momento. “Nunca tinha visto alguém morrer”. Mas, sua foto mais famosa, que ganhou fama como “Chupetinha”, é de um menino de rua, de uns três anos, que afasta a chupeta na boca para dar uma tragada no cigarro. Algo que somente alguém com o tamanho da sensibilidade de um artista poderia captar.

Após sair do Estadão, Lilo Clareto ingressou na revista Época, onde conheceu e estabeleceu parceria com a jornalista e conceituada colunista Eliane Brum. Essa parceria, que perdurou após ambos terem se desligado daquele veículo, já soma mais de 20 anos de grandes reportagens, tendo como foco, atualmente, a vida amazônica e a defesa do meio ambiente.



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