Com 131 anos de abolição as desigualdades e o racismo continuam presentes na realidade brasileira

Empreendedora de sucesso negra atua para transformar essa realidade fortalecendo a valorização da diversidade em todos os espaços

Da Redação

No dia 13 de maio o Brasil completa 131 anos da abolição da escravatura. Após mais de um século da assinatura da Lei Áurea, será que a população negra brasileira tem realmente motivos para comemorar? Segundo o IBGE 2012, do total de 16 milhões de brasileiros na extrema pobreza, cerca de 65% são negros (pretos + pardos).

Não podemos negar que avanços aconteceram, mas sempre surge uma nova polêmica que aponta o contrário. Um segurança de supermercado pode conter uma pessoa negra chegando ao extremo de matá-la? Um cliente negro, que faz uma reclamação no banco do qual é correntista, pode ser contido por força física extrema? A população negra tem a formação que é exigida pelas grandes empresas brasileiras a ponto de poderem ser contratadas e promovidas? Determinar cotas nas universidades e serviços públicos é justo? Essas são apenas algumas das questões que Liliane Rocha, Fundadora e CEO da Gestão Kairós, consultoria em Sustentabilidade e Diversidade vem respondendo ao longo dos 14 anos de atuação em prol da valorização e inclusão da diversidade.

Se analisarmos alguns dados podemos dizer que o Brasil retrocedeu mais do que avançou em questões raciais. Atualmente, de acordo com o levantamento da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio (PNAD) do IBGE em 2016, a taxa de analfabetismo da população branca era de 4,2%, de pretos e pardos 9,9%. Já quando analisados os índices de desocupação da época, os brancos ficam com 9,5%, e pretos e pardos juntos era de 28,1%. Quando o tema é o trabalho infantil, a realidade é ainda mais alarmante, com 35,8% de crianças brancas trabalhando e 63,8% pardas e negras.

Todos esses dados só comprovam que mesmo 131 anos após a abolição, o abismo social entre brancos e negros ainda é muito grande.

Mas as cores da desigualdade no Brasil são reforçadas em diversos aspectos. Mesmo com 54% da população composta de negros e negras, são poucos os negros que conseguem ingressar no ensino superior e quando se formam chegam ao mercado de trabalho enfrentando outras dificuldades impostas pela raça. “Se considerarmos o resultado do perfil Social, Racial e de Gênero das 500 maiores empresas brasileiras, publicado pelo Ethos, em 2007, 2010 e 2016 notamos que os percentuais de profissionais negros na alta liderança das grandes empresas caíram de 2010 para 2016”, explica Liliane Rocha.

Em 2007, negros representavam 25% do quadro funcional e 3,5% do quadro executivo. Em 2010, negros eram 31,1% no quadro funcional e 5,3% no quadro executivo e, em 2016, nos quadros funcionais negros eram 35,7% e no quadro executivo só 4,7%.

“Não se cria um país economicamente próspero deixando metade da população brasileira para trás. Para ser um país competitivo, com empresas competitivas é essencial dar oportunidades iguais de trabalho para todos. Isso não acontecerá com 54% da população tendo seu acesso às melhores oportunidades de estudos e empregos vetadas”, questiona Liliane.

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