Como identificar pirâmides financeiras e fugir delas

Especialistas no mercado financeiro dão dicas de como identificar empresas e investimentos duvidosos

Da Redação | outrosquinhentos.com | São Paulo | Foto de Capa: Anna Nekrashevich/Pexels

Com a crise provocada pelo novo coronavírus, muitas pessoas que têm procurado formas de obter renda tem caído em golpes de falsos investimentos, como as famosas pirâmides financeiras, em que muitos acabam sendo atraídos com promessas de ganhos altos e garantidos.

Um estudo da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) em parceria com o Sebrae mostrou que 11% das pessoas declararam que já perderam dinheiro em esquemas fraudulentos, dos quais 55% caíram em pirâmides financeiras.


Leia mais: Existe investimento seguro? Veja os mitos que cercam as diferentes formas de aplicar o seu dinheiro

Recentemente artistas como Gusttavo Lima, Luziano Szafir, Cauã Reymond e Tata Werneck tiveram suas imagens associadas a supostas pirâmides. O cantor divulgou em uma live com transmissão para mais de 10 milhões de pessoas o logotipo e QR Code da Crypto & Revolution. Na página, a empresa garantia rentabilidade de 200% a 400% até o fim do ciclo de renovação, além de lucratividade sempre positiva.



Já Szafir fez propaganda de um robô que garantia 300% de rentabilidade no mês. Enquanto isso, Cauã Reymond e Tatá Werneck promoveram a Atlas Quantum em comerciais. De acordo com a Cointimes, quando as suspeitas começaram a vir a público e os investidores passaram a querer sacar o dinheiro investido, os responsáveis fugiram e deixaram de pagar aos usuários.

Segundo Jansen Costa, sócio-fundador da Fatorial Investimentos, tudo começa com promessa de ganho elevado, sem risco, como se fosse a última oportunidade de investimentos.

“Geralmente as taxas de ganho são bastante acima do mercado, mais de 10% garantido. A partir desse valor, vem a promessa de atrair ganho fácil para a pessoa que investir naquele determinado produto. Existe também um contrato entre as partes para garantir o investimento, o que ajuda a deixar aquele investidor mais seguro no negócio”, explica o especialista.


Leia mais: 10 dicas para acelerar suas finanças pessoais

Para João Beck, economista e sócio da BRA, alguns investidores acabam buscando nas rentabilidades elevadas a solução de alguns problemas pessoais e não fazem a devida diligência da empresa em que investem. “É importante buscar instituições idôneas que já atuam há bastante tempo no mercado. Promessas de rentabilidade alta são muito comuns”, diz.

Para Laura Bartelle, especialista em investimentos e sócia da 051 Capital, uma dica para evitar cair nesse tipo de golpe é nunca depositar dinheiro para terceiros.

“Transfira sempre dinheiro da sua conta corrente diretamente para a sua conta na corretora, que está cadastrada com seus dados pessoais como nome completo e CPF. Não transfira dinheiro para contas de terceiros ainda que eles justifiquem que o valor será usado para fazerem investimentos para você e gerar lucros”, explica.

Outra dica, segundo Laura, é comprar as taxas de lucratividade prometidas com as taxas de outros investimentos. “Se o investimento mais seguro, como a poupança, paga em torno de 3,5% a.a atualmente (taxa básica de juros do Brasil – a Selic) por que determinada aplicação renderia 5% a.a ou 30% a.a? Entenda os riscos que fazem com que a aplicação tenha potencial de render mais. Se prometerem demais, desconfie”, afirma.

Jansen Costa cita a importância de fazer buscas na internet com o nome da empresa e CNPJ. Além disso, se a taxa Selic atual está em 3,5% ao ano, fuja de empresas que apresentam rentabilidade segura acima disso. “Busque profissionais certificados pela CVM e desconfie de promessas e pessoas que posam como se fossem milionárias com carros caríssimos e promessas de ganhos rápidos. Esses grupos criam estereótipos para atrair e chamar a atenção do público”, comenta.



, , , ,