Cores, arte e saúde mental

por Tiago Vilela, para outrosquinhentos.com*

Azul, amarelo, verde, rosa… as cores permeiam o nosso ambiente e a nossa vida. Você já parou para pensar na importância das cores para o ser humano? Para que ele se sinta equilibrado no espaço em que vive?

As cores permitem que a gente consiga diferenciar objetos, texturas e até elementos da natureza. Experimente olhar para o céu: é pela cor que sabemos se ele está limpo, se vai chover, se o dia está mais quente ou frio… Uma criança, quando pedimos que ela desenhe a natureza, geralmente escolhe a cor verde para representar as árvores e as matas. A possibilidade de percepção das coisas passa muito pelas cores, em todos os contextos da nossa vida.

Em processos de avaliação de personalidade, por exemplo, ou até mesmo em alguns testes psicológicos, a gente costuma utilizar desenhos e pinturas para fazer uma leitura da crise, do conflito e da qualidade da saúde mental de quem está desenhando. A forma como interpretamos as cores e os significados delas é muito subjetiva. Cada pessoa terá uma representação muito singular. O azul marinho, para mim, pode ser muito agradável. Posso gostar de usar roupas azuis, estar em ambientes desta cor porque ela me traz tranquilidade, calma ou boas lembranças. Porém, para outras pessoas, a mesma cor pode trazer lembranças tristes ou traumáticas.

Por outro lado, embora exista essa questão singular da representação das cores, existem outras características que são praticamente universais. Por exemplo, se pedirmos para uma criança desenhar um coração, provavelmente ela vai desenhar em vermelho. Isso porque o vermelho está culturalmente associado a questões de amor, vitalidade, energia física e inclusive sexual.

Da mesma forma, se você pedir para alguém desenhar um sol, é bem provável que a pessoa use tons amarelados, que traz o sentido de iluminação, claridade, algo que acentua a nossa visão e nos faz enxergar melhor.

Falar sobre o Setembro Amarelo nos dá também essa possibilidade de refletir sobre o significado da cor. Sobre a ideia de luz. Por que é um setembro amarelo? Porque ele vem no contraste da escuridão. Quando falamos em representação simbólica do nosso inconsciente, percebemos que associamos muitas vezes as cores escuras ao suicídio. Aos sentimentos deprimidos, tristeza, sensação de impossibilidade de continuar vivendo ou suportando uma situação. Uma desistência.

Quando alguém se sente no escuro, se sente acuado, vazio, em uma vida sem possibilidades. Uma vida sem cor.

O Setembro Amarelo tem essa cor como símbolo da existência de uma luz no fim do túnel. De novas possibilidades, esperanças e renovações. Quando alguém lhe oferece um ombro amarelo, está oferecendo escuta, acolhimento e luz.

Enquanto sociedade, precisamos nos apropriar das cores para ser, neste e em todos os outros meses, luz para quem mais precisa. Apresentar possibilidades, conversar, oferecer tempo para que o outro possa verbalizar seus conflitos.

Por isso, é tão importante que a gente se conscientize da importância de ficar atento às características da ideação suicida. Ninguém comete suicídio do nada! A pessoa dá pequenos indícios ao longo da sua trajetória de vida, com pequenos comportamentos e discursos. Quando alguém está nessa situação, uma das coisas mais importantes é dar a esta pessoa a oportunidade de trazer às claras toda a angústia e nomear o sentimento.

Arte

Para Freud, nós temos uma energia de vida, que ele chama de sexualidade. Essa energia sexual precisa circular pelo nosso corpo e estar em harmonia. Para isso, ela precisa ser canalizada em situações que nos trazem prazer, bem-estar e sensação de realização.

Uma das formas de canalizar essa energia é a arte. Música, pintura, escrita e todas as outras formas de expressão artística ajudam a trazer harmonia para o nosso sistema nervoso, relaxar o cérebro e ajudar no processo de conscientização e concentração. A arte pode ser esse sol porque ela ajuda a trazer os sentimentos à tona. Assim, fica mais fácil conversar, elaborar as ideias e enxergar novas possibilidades e cores pelos caminhos da vida.

*este conteúdo é uma contribuição de Tiago Vilela, músico e psicólogo

*Os textos dos colunistas são de responsabilidade de seus autores e não necessariamente expressam a opinião de outrosquinhentos.com
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