Coronavírus vai contribuir para o aumento do sedentarismo no pós-pandemia

Se manter o ritmo de atividades físicas em dias normais já é complicado para muita gente, imagina em tempos de pandemia

por outrosquinhentos.com

A Covid-19 deverá “contribuir” para aumentar o número de sedentários e, consequentemente, para o aumento de outras doenças relacionadas a obesidade: ganho de peso, diabetes, hipertensão, cardiopatias, doenças pulmonares, entre outras.

O alerta é feito pelos educadores físicos, que veem no dia a dia o sedentarismo tomar conta das pessoas, quem explica é o personal trainer de São José dos Campos, Eid Nogueira.

“No primeiro momento vimos que quem praticava a atividade física comumente, manteve um certo ritmo e o entusiasmo para fazer os exercícios físicos em casa. À medida que foi passando o tempo e se aumentou a necessidade de permanecer em casa, estas pessoas passaram a desanimar, não estão mais motivadas. A ansiedade começou a tomar conta, a comer mais e fazer exercícios físicos de menos”, contou Eid Nogueira.

Estar em casa permite o indivíduo a ter acesso a várias facilidades como ver tv ou filmes mais do que estava acostumado, ficar mais horas no computador tanto para estudos, trabalhos quanto para se socializar e matar as saudades de quem está longe. Se arriscar na cozinha preparando pratos e consequentemente, comendo mais.

Todos estes fatores contribuem para a obesidade. O sobrepeso é um fator de risco para diversas doenças, inclusive para a infecção pelo coronavírus, pois diminuiu a imunidade.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) antes da pandemia, quase metade da população brasileira (47%) não praticava o mínimo de exercícios para manter o corpo saudável. O recomendado pela instituição é cerca de 150 minutos por semana. Diante desse panorama, o país lidera o ranking de sedentarismo na América Latina e é o quinto mais sedentário do mundo. Imagina como ficará essa realidade durante a quarentena e após a pandemia. Sair da zona de conforto é muito difícil para quem já pratica atividade física, imagina para quem é sedentário.  É muito preocupante.

“Já tínhamos uma população de sedentários, o isolamento está servindo para agravar o quadro destas pessoas, pois até então, elas por alguma necessidade, fazia uma movimentação como andar, subir escadas e isto estagnou. E os que praticavam alguma atividade, diminuíram o ritmo ou pararam de vez. Hoje, são pouquíssimos que tem a disciplina de fazer uma atividade física no confinamento”, explicou o personal.

O resultado disto pode ser catastrófico aumento de inúmeras doenças, levando ao caos à saúde pública: colesterol alto, aumento da glicemia, apneia do sono, refluxo esofágico, asma – as pessoas obesas desenvolvem com frequência síndromes respiratórias, problemas no fígado, alguns tipos de canceres.

Hoje se debate a necessidade ou não da abertura de academias. Para ver se é serviço essencial basta analisar a questão de doenças relacionada ao sedentarismo. E tem mais um detalhe, existem pessoas, principalmente as idosas, que ao saírem do ritmo de atividades físicas terão que ter um empenho 100% maior para corresponder aos estímulos que haviam conquistados antes da pandemia.

“Tenho clientes idosos, que estão totalmente parados e a consequência disto é dificuldade para fazer uma simples caminhada, enrijecimento dos músculos e o pior, abatimento e desânimo, que já entraria também na questão da saúde mental”, exemplificou o personal.

Outro grupo afetado são as pessoas de alta performance que praticavam duatlon, triatlon, ciclismo. O ritmo de treinamento na quarentena não é o mesmo, por mais que se esforce, a volta também exigirá grandes esforços e cuidados com lesões.

Temos que levar em conta também, os efeitos nocivos do sedentarismo na ansiedade, depressão, na autoconfiança, no aumento do estresse, e principalmente na atividade hormonal.

A consequência disto tudo será a continuidade de grandes números de pessoas recorrendo a atendimentos médicos nos setores públicos e privados e com risco de morte.

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