Dia Mundial do Diabetes: diagnóstico precoce é aliado no tratamento da doença silenciosa e sem cura

O mal, que atinge todos os anos mais de 9 milhões de pessoas no Brasil, requer atenção redobrada, informação contínua e rotina de exames e cuidados “os importantes aliados para detecção precoce e acompanhamento adequado da doença”, comenta especialista

Da Redação | outrosquinhentos.com

Mais de 9 milhões de pessoas no Brasil foram diagnosticadas com diabetes, de acordo com último levantamento Pesquisa Nacional de Saúde, realizada pelo Ministério da Saúde em parceria com o IBGE.

Provocado pela ausência ou resistência à ação da insulina (hormônio que garante o aproveitamento da glicose como energia para o corpo humano), o mal pode atingir mais de 642 milhões de pessoas no mundo até 2040, segundo relatório da IDF (International Diabetes Federation), que destaca ainda para outra triste realidade: o Brasil já aparece em terceiro lugar no ranking global de casos entre crianças e adolescentes (SEM E) até os 15 anos.

Os dados da IDF apontam ainda que há mais de 98 mil pacientes dessa faixa etária diagnosticados com diabetes tipo 1 todos os anos no País. Por isso, combater a doença é tão urgente que a causa ganhou até data. “É um dia de alerta para os cuidados que devem ser adotados o ano inteiro”, orienta a médica endocrinologista do Grupo Sabin, Talita Cordeschi.

De acordo com a especialista, tão fundamental quanto se alimentar bem e manter hábitos de vida mais saudáveis, é não abrir mão da rotina de exames para detecção precoce e sucesso do tratamento da doença.

“Se observarmos os números recentes do Ministério da Saúde, podemos reforçar a importância de detectar precocemente o diabetes e fazer o acompanhamento adequado para se prevenir contra as complicações da doença. O SUS realizou, de janeiro a agosto deste ano, mais de 10 mil amputações de membros inferiores, em decorrência de diabetes. Isso sem falar na temida retinopatia diabética, que hoje é a principal causa de cegueira em adultos. O diabetes tipo 2 é uma doença grave e silenciosa, mas é possível fazer um acompanhamento correto, para evitar o agravamento dela e até mesmo a morte”, orienta.

A assistência médica contínua, associada às estratégias de combate aos fatores de riscos, ajudam na jornada do paciente. “Estamos falando de estratégias que vão além do controle glicêmico. O diabetes está inserido em um grupo de várias doenças metabólicas e apresenta sintomas que podem ser facilmente confundidos com outros problemas de saúde. Por isso, reiteramos a importância dos exames para observar corretamente os níveis de açúcar no sangue, por meio dos testes de glicemia. “Exames das taxas de hemoglobina glicada também auxiliam no diagnóstico e principalmente no acompanhamento e sucesso no tratamento. “Apenas uma amostra de sangue pode ser o sinônimo do diagnóstico correto”, conclui.

Ministério anuncia recursos para rede pública de saúde

No início deste mês, o Ministério da Saúde anunciou o envio de mais de R﹩ 221 milhões para aumentar os cuidados e o atendimento precoce às pessoas com doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) no Sistema Único de Saúde (SUS) durante o combate à Covid-19, na tentativa de fortalecer o atendimento na Atenção Primária em Saúde (APS) para portadores de diabetes, hipertensão arterial sistêmica e obesidade.

“O momento nos colocou diante de grandes desafios, incluindo a incidência do aumento de mortes diante de pacientes crônicos. Momentos assim demandam criatividade e ações para superação de antigos obstáculos, e é isso que buscamos com a portaria, que vem induzir e fortalecer a atenção precoce a essas pessoas na Atenção Primária”, afirma o secretário de Atenção Primária à Saúde, Raphael Parente.

Os recursos também são voltados para prevenção da transmissão do coronavírus e priorização do atendimento para esses pacientes, por conta do risco maior de agravamento de sintomas da doença e do aumento das chances de complicações.

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