Dor que nunca passa, você já teve?

Uma dor que não desaparece e não responde aos medicamentos. Como avaliar essa dor? Quais os tratamentos disponíveis? Qual pode ser a causa? E a COVID-19 pode ter dor como sequela?

Da Redação | outrosquinhentos.com

Você já imaginou ter uma dor permanente, crônica, que não desaparece e que pode não responder aos medicamentos? Todos nós sabemos por experiência própria que qualquer dor traz prejuízos físicos e emocionais. E, dependendo de sua intensidade, esses danos podem ser graves. Importante frisar que toda dor deve ser avaliada por um médico, afinal as dores são indicativos que algo não vai bem no nosso corpo, além de comprometerem o dia a dia, sendo desagradáveis e incômodas.

O estudo Global Pain Index 2018, realizado pela farmacêutica GSK, aponta que 96% da população adulta brasileira já sentiu alguma dor no corpo. E quando a dor é crônica – aquela que persiste e não passa em um tempo médio de três meses –, dados de uma pesquisa da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED) apontam que ela afeta 37% das pessoas em nosso país.

Lesões como acidentes e traumas, ou doenças como diabetes, HIV, hérnia de disco ou artrite podem ser as razões da chamada dor neuropática, um tipo de dor crônica que ocorre quando os nervos sensitivos do Sistema Nervoso Central ou periférico são feridos ou danificados. “É um tipo de dor que compromete muito a qualidade de vida, e estima-se que atinja entre 7% e 10% da população. As pesquisas vêm mostrando que esse número pode aumentar em função do envelhecimento da população e outros fatores, como a sobrevida ao câncer”, diz o neurocirurgião Marcelo Sabbá.

Segundo Sabbá, esta condição – de dores permanentes – podem permanecer subdiagnosticadas, podendo ficar sem tratamento ao longo de anos. E as consequências são perigosas. “Quanto mais tempo se demora para o início do tratamento da causa, maior a chance de haver uma lesão em alguma estrutura (ou seja, o evento causador – seja ela uma inflamação, uma compressão, uma alteração metabólica) se não identificado e devidamente tratado, pode lesar de maneira mais importante e até definitiva estruturas do corpo, dificultando assim o controle da dor”, aponta.

Além disso, o neurocirurgião explica que a dor tem uma íntima relação com o humor. É muito frequente que dores crônicas estejam relacionadas, incialmente à ansiedade e inquietude e, posteriormente, à depressão. “Isso acontece porque o quadro clínico é banalizado. Como a dor é algo subjetivo, e não pode ser atestada por outras pessoas, ela é subvalorizada – inclusive pelo próprio paciente. O acompanhamento com uma equipe multidisciplinar especializada é fundamental”, ensina.

Hérnia de disco: muita dor!

As dores causadas pelas hérnias de disco podem ser contínuas e difícil de localizar. Dr Sabbá diz que muitas vezes podem causar um tipo de sensação de queimadura, de choque-elétrico, ou formigamento. “Importante deixar claro que é uma dor na perna se a hérnia for na região lombar; no braço, se a hérnia for na região cervical; e no tórax, se a hérnia for na coluna torácica, esta última mais rara”, comenta o médico, que aponta que são os tipos de dores que não se pode ignorar. “A irradiação para os membros inferiores é um sinal de alarme na dor lombar. Se não identificada corretamente pode, inclusive, deixar sequelas”, alerta.

E a artrite?

A artrite, por definição, é uma dor inflamatória. De acordo com o Dr. Sabbá, é uma dor que piora com a imobilidade e melhora com o movimento. Na coluna, está mais frequentemente associada às articulações facetarias, que estão localizadas nessa parte do corpo. Na maioria das vezes, as dores são de tratamento conservador, ou seja, não cirúrgico. “A partir da identificação da causa do quadro, é estabelecida uma mudança de estilo de vida associada aos medicamentos. A abordagem multidisciplinar é o pilar do tratamento”, diz.

COVID-19 e as dores neuropáticas

A COVID-19 pode ocasionar dores neuropáticas mesmo após a pessoa ter sido curada. Ainda não é possível afirmar, segundo Dr. Sabbá, que pessoas que já eram vítimas de dores, após a COVID-19, terão essas dores aumentadas. Porém, sabe-se que a COVID-19, inicialmente relacionada diretamente com doenças respiratórias, afeta uma variedade de sistemas. E alguns pacientes, mesmo curados da doença, permanecem com sequelas. “Vemos que pode haver piora de uma dor crônica preexistente, o próprio vírus pode causar uma inflamação nos músculos ou o paciente pode ter dor devido aos procedimentos necessários do tratamento advindos da internação, sedação, intubação e utilização de bloqueadores musculares”.

O tratamento vem sendo realizado com medicamentos e alguma atividade física. “Repouso total causa perda de condicionamento físico, perda de elasticidade, ganho de peso e até depressão”, alerta o médico. De toda forma, pesquisas ainda são necessárias para garantir o melhor protocolo para os pacientes com dores pós-COVID-19.

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