Entenda porque o movimento antivacina aumenta entre os atletas

Não faltam exemplos de esportistas consagrados mundialmente que recusam a vacinação, seja por temerem os efeitos adversos que elas supostamente causam ou por ouvirem argumentos da classe antivacinação

por Diogo Oliveira, para outrosquinhentos.com* | Foto de Capa: Reuters

Estrelas como Kyrie Irving do Brooklyn Nets, Paul Pogba, jogador do Manchester United, Tiger Woods, golfista 5 vezes campeão mundial, Conor McGregor ex-detentor do cinturão do UFC e o mais recente deles, o tenista sérvio Novak Djokovic, são alguns exemplos dos atletas de elite que aderem ao movimento. Segundo uma pesquisa revelada pela revista Forbes, dos 50 esportistas mais bem pagos do mundo, 13 recusam a vacina. Em geral, os atletas antivacinação dizem que não querem abrir sua privacidade e dizer se foram imunizados.

Eles ganham rios de dinheiro com o seu preparo atlético e a grande maioria aponta às dúvidas sobre os efeitos, de curto, médio e longo prazo que uma vacina nova e aprovada às pressas pelas agências reguladoras poderiam causar no organismo. O debate é quente.

Vamos focar no caso que tem repercutido no meio esportivo nesse começo de 2022. Foi o próprio tenista que divulgou em seu twitter (4 de janeiro) a notícia de que havia sido aprovado para jogar o Aberto da Austrália, que começa hoje (dia 17 de janeiro). O país da Oceania exige que todos os visitantes estrangeiros tenham esquema de vacinação completo. Caso contrário, precisam permanecer 14 dias em quarentena.

Tenista número 1 do ranking, Novak é por vezes tido como uma pessoa non grata no mundo do tênis, sua personalidade difícil e antipatia lhe valeram muitas inimizades no esporte, o que não altera o fato de ele possuir 20 Grand Slams e ser junto com Rafael Nadal e Roger Federer os maiores ganhadores da história do tênis. O Australian Open poderia desempatar essa disputa, mas a situação atual impossibilita isso.

O próprio Djokovic já contraiu COVID em dezembro do ano passado e por isso alega que pode obter a isenção da vacina. A equipe do sérvio alega que ele se tornou um “bode expiatório”, já o governo australiano acata a ideia de que ele tentou enganar o sistema ao alegar um motivo inexistente para não ser vacinado, que deixou furiosos muitos australianos, que continuam submetidos a um dos regimes de restrições mais severos do mundo para controlar a propagação do vírus.

Quando chegou no aeroporto de Melbourne na quarta-feira dia 5 de janeiro, ele foi prontamente barrado. Seu visto foi cancelado no local e o tenista foi para uma detenção temporária de imigração. A ministra da Austrália para assuntos internos se manifestou: “O Sr. Djokovic não está sendo mantido como prisioneiro. Ele é livre para sair a qualquer hora que quiser e a Força de Fronteira vai realmente facilitar isso. É responsabilidade individual do viajante garantir que todos os documentos necessários para entrar na Austrália estejam em ordem.”

A Tennis Australia – órgão esportivo que comanda o Aberto da Austrália – confirmou que o Djokovic teve o lugar garantido no torneio sob sua política de “isenções”. Ele as recebeu por dois painéis independentes organizados pela Tennis Australia e pelo estado de Victoria. Razões válidas para isenções incluem uma condição médica aguda e também uma infecção por COVID nos últimos seis meses.

As regras foram anunciadas em dezembro e endossadas pelo governo do Estado de Victoria. As autoridades federais, naquela época, não apresentaram objeções à política. Agora o governo federal da Austrália rejeitou a decisão do Estado de Victoria sob o discurso de que a Austrália é uma federação, mas sua constituição atribui o controle das fronteiras ao governo central, não às autoridades estaduais.

Depois de muita discussão politica e acusações de que o tenista tenha ficado em um hotel para deportados o caso se encerrou com o sérvio banido da competição. Em julgamento final, o júri australiano decidiu que o tenista sérvio ficará com seu visto cancelado.

O Australia Open seguirá sem o número 1 do mundo, que será substituído por um tenista derrotado no qualificatório do torneio que irá herdar essa vaga por conta da eliminação de Novak Djokovic. A organização do torneio ainda não comentou publicamente a decisão da justiça australiana.

Fato é que este jogo está longe de acabar, para você, quem vence essa partida entre os atletas vacinados e os não vacinados?

*este conteúdo é uma contribuição de Diogo Oliveira, jornalista e graduando em Educação Física e colunista em outrosquinhentos.com. Os textos dos colunistas são de responsabilidade de seus autores e não necessariamente expressam a opinião de outrosquinhentos.com
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