Hérnia abdominal, pedra na vesícula, cálculo renal: Quando adiar as cirurgias se torna um risco para a saúde?

Hérnias abdominais atingem entre 20% a 25% da população brasileira adulta, segundo dados da Sociedade Brasileira de Hérnia e Parede Abdominal. Já as pedras nos rins acometem cerca de 13% da população mundial e de 10% dos cidadãos brasileiros, de acordo com pesquisa divulgada no Jornal da USP (Universidade de São Paulo). Quando falamos em pedra na vesícula, as estatísticas apontam que afeta mais de 10% do povo ocidental e a incidência se multiplica com o avançar da idade, a partir dos 40 anos.

por Leandra Vianna, para outrosquinhentos.com

A hérnia epigástrica é uma das manifestações comuns desta doença no abdome. Aparece na linha média do abdome, como resultado do afastamento dos músculos retos abdominais, localizados na parte anterior e central.

As pedras nos rins estão normalmente ligadas ao alto consumo de sal e proteínas. Porém, o fator determinante é o consumo de água: com a baixa ingestão, a urina fica concentrada e pode levar à formação de pedras. O H2O dilui os sais da urina. Além desses fatores, o histórico familiar também influencia no aparecimento dos cálculos, que podem caracterizar distúrbios metabólicos como excesso de eliminação de cálcio e ácido úrico na urina ou falta de substâncias protetoras no “xixi”.

Já a pedra na vesícula tem como sintomas a dor na região abdominal, do lado direito do corpo, associada a vômitos, podendo ocorrer também febre e infecção. Ela é causada por um desequilíbrio entre a produção e excreção da bile, geralmente impulsionado pela ingestão excessiva de gordura na dieta.

E quando junta tudo em um mesmo paciente?

Sim, isso é possível! É o caso da jovem Andreza Alves dos Santos Freitas, de 26 anos, moradora do bairro de Bonsucesso em Guarulhos, na Grande São Paulo. Andreza que é vendedora de açaí, espera por uma cirurgia pelo SUS (Sistema Único de Saúde) em São Paulo desde 2018, após descobrir uma hérnia epigástrica em 2015 e ter conseguido passado por consulta com um cirurgião somente três anos depois. Além da hérnia, Andreza tem pedras nos dois rins e na vesícula. Após mudança para Guarulhos, aguarda já há três meses pela análise de outro especialista.

“Trabalho vendendo açaí com um carrinho em frente da minha casa. Há alguns dias, não estou conseguindo trabalhar por causa das dores. Em São Paulo, estou na fila do SUS desde 2018. E em Guarulhos tem três meses que espero para passar por um médico ainda, para encaminhar para a fila de cirurgia. Às vezes, as dores são muito fortes, eu não consigo nem andar direito”, conta.

Felipe Borges, médico-cirurgião do aparelho digestivo, esclarece que todas as hérnias de parede abdominal têm como risco a saída do conteúdo intra abdominal pelo orifício da hérnia, que pode ficar preso, não conseguindo retornar para a cavidade abdominal.

“Outra complicação comum e grave é o estrangulamento, que é a falta de sangue para o conteúdo abdominal (alça intestinal ou gordura) que ficou preso no orifício da hérnia”, afirma o especialista.

Andreza, aos 26 anos: “Eu só quero poder trabalhar, cuidar da minha casa, dos meus filhos, sem sentir dor”

Doenças podem matar

“As pedras na vesícula têm como riscos mais comuns a colecistite (inflamação/infecção da vesícula biliar) e a pancreatite, migração de cálculo da vesícula até o orifício de saída do pâncreas, causando pancreatite, doença grave que pode levar a óbito”, alerta o médico.

Borges menciona ainda complicações mais raras: a coledocolitíase, quando o cálculo fica preso no canal que liga o fígado ao intestino, que se chama colédoco; colangite, que é a infecção dos canais biliares por conta da bile ficar ‘presa’ dentro do fígado e dos canais, não conseguindo chegar ao intestino.

Segundo Leonardo João Paulo La Regina, urologista do Hospital HSANP, os cálculos renais podem permanecer muito tempo sem nenhuma manifestação, mas também podem ser responsáveis pela presença de sangue na urina, dor intensa (a cólica renal), infecções ou até mesmo levar à perda do rim.

“Quando se movimentam e saem do rim, descendo pelo ureter em direção à bexiga, podem causar obstrução à passagem da urina e consequentemente a dilatação e sofrimento renal, que se manifesta pela cólica renal”, pontua.

Quando o caso é cirúrgico

“Tanto as hérnias quanto a colelitíase (pedra na vesícula) têm a indicação cirúrgica de forma eletiva, antes de ocorrer uma complicação, pois no caso de ser necessário fazer a cirurgia em caráter de urgência, o risco de complicações tanto intra como pós-operatórias são muito maiores”, diz o cirurgião.

Quanto às pedras nos rins, o urologista João Paulo elucida: “Há casos em que existe a necessidade imediata de tratamento cirúrgico endoscópico, mas os cálculos menores e que não causem transtornos podem ser acompanhados e os pacientes orientados para ‘terapia expulsiva’, ou seja, medidas que aumentem as chances do paciente eliminar espontaneamente as pedras, como por exemplo, aumentar a ingestão de água, praticar atividade física e, ainda, a prescrição de medicações para amparar o paciente nesse processo, principalmente no caso de cólicas renais, finaliza.

Este é o caso de Andreza. “A ansiedade quando eu estou com dor me deixa doida. Ainda falta muito para conseguir operar particular e pelo SUS eles fazem pouco caso. Então eu só preciso de ajuda pra conseguir fazer essa cirurgia. Eu só quero poder trabalhar, cuidar da minha casa, dos meus filhos, sem sentir dor”, suplica a jovem, que já fez rifas e vaquinha virtual para tentar juntar dinheiro para a cirurgia.

Se você é médico, especialista em cirurgia abdominal na região de Guarulhos e puder ajudar, avaliando o caso da jovem ou mesmo encaminhando para a cirurgia, entre em contato pelo Whatsapp (11) 95871-0409. A ajuda de profissionais da Secretaria Municipal de Saúde de Guarulhos ou da Secretaria Estadual de Saúde de SP também será muito bem-vinda.

Se você puder ajudar Andreza a conseguir realizar a cirurgia particular, faça uma doação: http://vaka.me/1758602.



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