Hormônios impactam a saúde do cérebro, do corpo e da mente

A neurociência explica que o consumo de açúcar e a falta de exercícios não são as únicas causas do sobrepeso. Leptina, cortisol e estrogênio estão entre os vilões da obesidade

por outrosquinhentos.com

No mundo inteiro, a maioria das pessoas tem a ideia de que estar acima do peso ou obeso é consequência de uma alimentação que inclui apenas lanches, bebidas com muito açúcar ou falta de exercícios físicos. 

As pessoas que geralmente têm problemas com a balança e veem sua saúde comprometida por isso se culpam por não conseguirem mudar seu comportamento para se livrar do excesso de gordura. 

Não há dúvidas de que comer muito açúcar e fazer pouco exercício são hábitos ruins. Entretanto, não são estas as únicas causas do ganho de peso e da obesidade. Na verdade, há outra razão pela qual podemos ganhar peso: os hormônios. 

A neurociência explica o impacto dos hormônios no cérebro e na nossa saúde física e mental. De acordo com os estudos da área, o equilíbrio hormonal é crucial para a saúde e o bem-estar gerais, e que um desequilíbrio no nível de qualquer hormônio pode causar numerosos e sérios problemas de saúde.  

O Dicionário The Oxford Dictionary define “hormônio” como uma substância reguladora produzida pelo organismo e transportada pelo sangue para estimular células e tecidos específicos a entrarem em ação.  Em outras palavras, hormônios secretados pelo cérebro carregam mensagens reguladoras para o restante do corpo. 

Será que estes hormônios podem influenciar no nosso peso? Sim: o desequilíbrio hormonal ou uma má interpretação dos sinais que os hormônios enviam ao corpo têm um grande impacto na nossa saúde e regulação de peso. Os estudos da neurociência mostram que há vários hormônios envolvidos em problemas de controle de peso e obesidade.

Um deles é a leptina, responsável por regular o apetite, o metabolismo, a pressão sanguínea, a frequência cardíaca e outras funções do corpo, porque reduzem a fome agindo no hipotálamo. As células de gordura do nosso corpo liberam leptina, que avisa o cérebro de que já comemos o suficiente.  

A leptina é sensível ao açúcar. Quando comemos açúcar em excesso, nosso organismo não consegue processar tudo e o açúcar extra é transformado em gordura. Ao mesmo tempo, muita gordura estimula a produção de mais leptina, e o cérebro se torna resistente a este hormônio. Assim, paramos de receber mensagem de que estamos saciados e comemos demais. 

Cortisol: o hormônio do estresse  

Quando estamos muito estressados, tendemos a comer mais para nos sentirmos melhores. Isso acontece graças a outro hormônio, o cortisol, que está relacionado ao metabolismo e controle do estresse. 

Este hormônio é outra razão pela qual temos vontade de comer muito.

O estresse e a ansiedade podem causar o aumento da produção de cortisol no corpo: quando estamos diante de uma situação estressante, as glândulas suprarrenais secretam cortisol. O cortisol prepara o corpo para a sobrevivência imediata, aumentando a quantidade de glicose e armazenando gordura, porque se sente ameaçada. Isto poderia ser bom se o estilo de vida moderno não fosse tão estressante. Entretando, com a alta de situações estressantes, este hormônio está constantemente elevado, o que aumenta o apetite, levando ao ganho de peso. Assim, o estresse faz o corpo armazenar gordura, em vez de queimá-la. 

Outro vilão é o estrogênio, o hormônio sexual feminino, que regula o desenvolvimento e o funcionamento do sistema reprodutivo da mulher e que também pode causar ganho de peso, sobretudo na menopausa. 

Os níveis de estrogênio influenciam a ingestão de alimentos, o armazenamento de gordura e o metabolismo. O estrogênio também está intimamente ligado a outro hormônio – a insulina. A insulina é responsável por diminuir e controlar seu nível de açúcar no sangue. Quando os níveis de estrogênio são elevados, eles interrompem a produção de insulina, o que leva ao alto nível de açúcar no sangue. Em última análise, faz com que seu corpo armazene gordura, levando ao ganho de peso. Um desequilíbrio no nível de insulina, também conhecido como resistência à insulina, pode até levar ao desenvolvimento de diabetes tipo 2. 

A glândula tireóide e seu funcionamento inadequado também podem levar ao excesso de peso. Ela influencia no metabolismo e, portanto, desempenha um papel importante na manutenção de um peso saudável.  

Quando a tireóide não produz hormônio suficiente, o metabolismo fica mais lento. Como resultado, começamos a armazenar gordura em vez de queimá-la e ganhamos peso facilmente. 

Esses hormônios desempenham um papel significativo na manutenção de um peso saudável e interferem no ganho de peso ou na obesidade. Na verdade, eles influenciam não apenas a maneira como nos sentimos e pensamos sobre os alimentos, mas também na forma como nosso corpo processa e armazena gordura. O desequilíbrio hormonal pode não explicar todas as oscilações de peso, mas permite a compreensão e até solução de grande parte desses casos. 

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