Infotenimento: A junção da informação com o entretenimento é uma receita de sucesso e sinônimo de credibilidade

O termo é usado como sinônimo de jornalismo que leva informação de qualidade, mas ao mesmo tempo, diverte e distrai o espectador

por Daniela Santos, para outrosquinhentos.com*

Há décadas e mais décadas estamos habituados a um jornalismo mais padrão, formal, com apresentadores mais sérios, de terno, gravata, blazer, sempre atrás de bancadas (no caso dos telejornais) e utilizando uma linguagem mais rebuscada. Raríssimas vezes o âncora opinava sobre algum tema ou fazia interações com o colega de estúdio. O que fugia desse formato era chamado de entretenimento: Mais liberdade na hora de escolher o figurino, ousar um pouco nos penteados, uso de gírias e brincadeiras no ar. Assuntos menos densos, mais leves.

Mas este conceito tem mudado e está cada vez mais nítido através do “infotenimento”, que vem do inglês infotainment, neologismo que surgiu na década de 1980, mas foi só no fim dos anos 1990 que ganhou força. O termo é usado como sinônimo de jornalismo que leva informação de qualidade, mas ao mesmo tempo, diverte e distrai o espectador.

Aqui no Brasil, uma autora que estudou a fundo este conteúdo foi a professora e pesquisadora Fabia Angélica Dejavite. Ela até lançou o livro: “INFOtenimento: informação + entretenimento no jornalismo” (2006). Em sua obra, Dejavite já dizia que uma mesma matéria pode muito bem informar e entreter ou entreter por meio da informação e que, neste contexto, não há um limite ético responsável por separar o jornalismo do entretenimento.

Um programa que exemplificava bem a junção desses dois elementos é o extinto “CQC”. A atração utilizava de trocadilhos e do humor para fazer um resumo dos fatos mais importantes que aconteciam no Brasil. Em várias ocasiões, repórteres iam até Brasília, abordavam políticos de surpresa e os questionavam com temas de interesse público (Tem uma coluna sobre este assunto, interesse público X interesse do público, aqui no portal).

Hoje em dia, o infotenimento está mais natural em nossa realidade midiática, mesmo que sutil — inclusive em produções totalmente distintas do “CQC”. Nos últimos anos, presenciamos âncoras de alguns dos principais telejornais brasileiros levantando da bancada, usando em maior frequência recursos como gráficos, artes e animações para que o conteúdo fique mais didático e interessante, fazendo brincadeiras com o colega (claro, dentro de um contexto e de um filtro, também), batendo um papo mesmo, sobre determinado assunto exposto naquele momento, ou seja, informando de uma forma mais leve. Aproximando você daquele jornalista que “todos os dias está dentro de sua casa”, podemos dizer assim, para que não fique uma relação tão distante entre emissores da notícia e seus receptores (público).

Observamos jornalistas e repórteres com um look mais solto: camisa polo, vestido, calça pantacourt, explorando cores até um pouco mais vibrantes, opinando, levando situações cotidianas como exemplo para algum assunto abordado. Daí você pode pensar: Mas esse tipo de jornalismo não passa credibilidade, é muito mi, mi, mi, muito engraçadinho… que não se faz mais jornalismo e jornalistas como antigamente… Calma! É possível unir informação mais entretenimento. No entanto, para que seja uma receita de sucesso é necessário que haja bom senso (em todas as áreas, né, gente).

O público está, a cada dia, mais e mais exigente e para ter sua preferência não tem outro jeito a não ser inovar! Dejavite (2006) já chamava atenção para a necessidade de fazer diferente. A autora batia na tecla de que o infotenimento é essencial para chamar a audiência. Ainda mais em tempos de internet e outros meios de informação que têm ganhado mais força e, desta forma, permitindo que o telespectador possa assistir o que quiser no momento em que ele preferir. Portanto, é preciso ter algo a mais, um diferencial a oferecer.

Novas ferramentas, modelos, tecnologias e estudos sempre surgirão a fim de lapidar o que já existe, sobretudo na área da comunicação, que não para de evoluir, porém um pilar que nunca mudou (para os bons profissionais) e nunca mudará é que independente do formato, o jornalismo – profissão tão nobre, difícil e que deveria ser muito mais valorizada, principalmente em um país tão carente como o nosso – em que a imprensa às vezes é o único meio de  comunicação entre seu povo e o poder público — continua sério! e sua base permanece a mesma: Os fatos devem ser checados mais de uma vez e, se possível, direto da fonte. Dê uma chance ao “novo”.

*Os textos dos colunistas são de responsabilidade de seus autores e não necessariamente expressam a opinião de outrosquinhentos.com



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