Interesse público X interesse do público: o que você consome na internet tem exercitado seu senso crítico ou te deixando alienado à realidade?

A internet faz parte da nossa rotina de trabalho e de lazer, também. Já parou para analisar quanto tempo você fica direto ou indiretamente conectado a esta ferramenta?

por Daniela Santos, para outrosquinhentos.com* | Foto de capa: Shutterstock

Em tempos de pandemia e crescimento do home office, com certeza, ela se tornou ainda mais indispensável para nós. Daí já lanço uma pergunta para você: O que mais tem consumido nas infinitas plataformas que nos são oferecidas?

Uma pesquisa divulgada pelo setor de mídia da Nielsen Brasil, em 2020, mostra que a maior parte dos brasileiros entrevistados (93,2%) acessam a internet, majoritariamente, para assistir filmes, vídeos e programas de TV, seguido daqueles que utilizam mais para escutar músicas (86,97%), em terceiro lugar para pesquisas, consultas e e-mails (77,47%), depois para interagir em redes sociais (77,24%). Já o percentual de cidadãos que preferem ler notícias é um pouco menor, (68,6%) e olha que curioso (pra este momento!) apenas (40,84%) disseram priorizar este meio para trabalhar.

Temos um cenário em que a busca pelo ócio prevalece. O que é ótimo. E neste caso, evidenciado pela pesquisa, reforça que as pessoas usam a tecnologia a favor delas mesmas: investindo em cultura e educação para, tecnicamente, termos uma parcela maior de seres humanos mais críticos. Precisamos disso.

Entretanto, chamo atenção para um outro ponto: o número de pessoas que acessam, em maior grau, a internet exclusivamente para o entretenimento. Você, o que tem buscado nelas? Conversar com amigos, acompanhar, até mesmo, notícias ou ficar por dentro do que aquele famoso influenciador que você admira anda fazendo. Segue alguma página com dicas de dietas rápidas e efetivas ou fica “namorando” aquelas decorações em casas superluxuosas, dignas de cinema.

Conteúdos que, certamente, te trazem ansiedade e frustração, pois a realidade da maior parte de nós, brasileiros, meu amigo, não é nem de perto parecida com aquilo que “a rede” faz chegar até nós, mas curiosamente é o mais cativante. No jornalismo, esse costume tem até termo específico: interesse do público, caracterizado por assuntos extremamente atraentes, mas que não são relevantes para a vida do cidadão.

Dificilmente para-se, atentamente, para ler um bom artigo ou aprender com conteúdos educativos. Ficar por dentro do aumento de casos e, consequentemente, mortes por covid, por exemplo, número de brasileiros desempregados, alta da inflação, desempenho do governo, ações que afetam diretamente a vida da maior parte da população, o que chamamos de interesse público, não está na lista de prioridades de muita gente.

Uma cultura que não podemos julgar, também. Talvez ou, provavelmente, muitos optem por dispersar um pouco diante de uma realidade tão mórbida. É legítima esta atitude. No entanto, chamo atenção para um efeito perigoso: quando nos alienamos, vamos perdendo nosso senso crítico, fundamental a cada um de nós enquanto seres pensadores, e damos espaço para sermos influenciados por falsas informações e ficamos fadados a simplesmente aceitar aquilo que nos ofertam como verdade – deixando de aprender e ir atrás de nossos direitos.

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