Já pensou em ser um romeiro?

por Claudio Davoli

Você já pensou em ser um romeiro, um peregrino ou fazer um caminho de reflexão? Pois eu recomendo, ainda mais num tempo em que nada para, o estresse é tão presente e a vida é tão virtual…

Parar e caminhar ou pedalar uns dias seja por devoção a Nossa Senhora ou outra devoção, ou ainda um caminho de autoconhecimento é muito importante e legal.

Eu fiz nove peregrinações até hoje, além de outras caminhadas de vários dias, estou planejando a décima neste mês de outubro a pé de São José dos Campos a Aparecida e tenho como meta de vida fazer o Caminho de Santiago de Compostela quando completar cinquenta anos. Tentando em cada uma delas testar meus limites, agradecer a Deus o dom da vida e me conhecer um pouquinho mais.

Neste texto darei algumas dicas para quem esta pensando numa empreitada dessas, contando as experiências que tive.

De Bicicleta pela Via Dutra até Aparecida: 84 quilômetros

Foi minha primeira experiência, ia com um grupo grande de romeiros, em que até cerveja tinha nos carros de apoio. Iam desde ciclistas profissionais até pessoal com a antiga Barra Forte e todos chegavam. Saíamos à meia noite e por volta de seis horas chegávamos na Basílica de Nossa Senhora Aparecida.

No ano seguinte, fui novamente, porém com muita chuva. Achei muito perigoso, pois além da chuva, sempre íamos de sábado para domingo, quando aumenta o número de motoristas imprudentes. E decidi não ir mais de bicicleta pela Via Dutra.

Anos depois, um ciclista desse grupo foi atropelado e morreu. O grupo não existe mais depois desse fato. A dificuldade física e relativamente fácil se você tem algum preparo físico, mas em minha opinião não vale o risco.

Mais segura que a Via Dutra, a ida a Aparecida pela Estrada Velha saindo de São José corta estradas de terra, passando por plantações e alguns bairros de cidades do Vale

De bicicleta por estrada de terra, partindo de São José dos Campos

Em 2017, tive o prazer de percorrer esse percurso com meu filho caçula, uma experiência incrível. Fomos com um grupo grande, com apoio e durante a noite. Foi bem tranquilo, sem desgaste do sol e das subidas que tem no Caminho da Fé que comentarei mais à frente.

A pé pela Via Dutra até Aparecida: 84 km

Na minha primeira tentativa, fui sozinho, direto e sem apoio. É muito bom para reflexão ir sozinho, mas o desgaste físico foi enorme e desisti faltando 15 quilômetros.

Uma experiência interessante dessa vez é que fui confundido com um mendigo por um guarda que tentou barrar minha entrada num restaurante de um posto famoso da estrada. Vi o que passa esses nossos irmãos menos privilegiados.

Fui mais duas vezes com um grupo de apoio. Fica mais fácil. A caminhada dura em torno de 24 horas, dando mais de 110000 passos, segundo os relógios que tem a função de contar passos. Digo que é um pouco perigoso, pois é pelo acostamento da Via Dutra, rodovia mais movimentada do país.

Outra questão é que o desgaste é grande. É muito fácil dar bolhas no pé, assaduras e problemas pré-existentes, como problema de coluna, sempre aparecem no final do percurso. Mas a chegada, a primeira vista da Basílica e ajoelhar aos pés de Nossa Senhora não tem preço.

Caminho da Fé

Caminho idealizado por Almiro Grings após percorrer duas vezes o milenar Caminho de Santiago de Compostela. Ele com alguns colaboradores criaram uma rota para auxiliar os romeiros de Aparecida. Originalmente começa em Águas da Prata e termina em Aparecida, mas com o tempo foram surgindo outros braços do Caminho, que se funde em Águas da Prata.

O peregrino faz um cadastro, recebe um passaporte, qual vai colhendo carimbos ao longo do Caminho e no final recebe um certificado.  Ele tem um ano para percorrer. Eu fiz três vezes.

A primeira de Bicicleta de Tambaú a Aparecida, 430 quilômetros. Fiz em três etapas, em três feriados e fui sem carro de apoio. Particularmente, foi a vez que mais aproveitei a independência de um apoio, a necessidade de planejamento e os riscos de estar sozinho ou em grupo pequeno. Ter que chegar sem tem um carro te esperando foi muito legal.

A segunda vez foi a pé. Fiz um percurso menor, de Paraisópolis a Aparecida. Foram quatro dias de caminhada, dividida em dois feriados. O grupo era grande, de umas 15 pessoas, algo que dificulta a interiorização e torna o ritmo mais lento. Fomos sem apoio também, com mochila nas costas.

A última, partimos de Águas da Prata, em cinco ciclistas, com carro de apoio, em cinco dias diretos. A diferença de preparo entre os ciclistas foi algo negativo. Alguns trechos nós acabamos indo de carro, com muitos morros a tentação bate na porta. Apenas um ciclista fez todo o caminho sem apelar para uma carona.

Algumas dicas

– Quanto mais planejamento tiver melhor

– Grupos homogêneos em preparo  e reduzidos reduzem o estresse e o caminho rende mais.

– Eu não gosto de carro de apoio, prefiro planejamento e aventura de estar sozinho

– E pra terminar, sempre levamos peso demais na mochila, assim como na vida, tem coisas desnecessárias que só tornam o caminho mais pesado.

FAÇA UM DIA. VALE A PENA!


Claudio Davoli

Claudio Davoli Brandão tem 45 anos e é dentista com aperfeiçoamento em cirurgia, implantodontia e ortodontia, com mais de 20 anos de atuação é também voluntário numa creche de São José dos Campos e contabiliza mais de 22 mil tratamentos. Tem como hobby praticar muito esporte, incluindo os radicais.

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