Você já deu limite aos seus filhos hoje?

por Letícia Brandão

Depois da nossa conversa sobre a Educação dos Filhos, coloco agora um assunto que tem, particularmente, incomodado. Falo sobre o comportamento das crianças em lugares públicos. Tenho observado como os pais lidam quando saem de casa com os filhos, principalmente os menores. A impressão que tenho é de que não sabem como se comportar em restaurantes, lojas, supermercados, igrejas, ou seja, lugares públicos.

Eles entram tão agitados nesses lugares que ao invés de ser um momento de descontração ou de paz vira um momento de “terror”. Eles se comportam de maneira inadequada, os pais acabam não conseguindo dar limite, fica uma guerra de braços, de quem grita mais ou quem cede primeiro.

Exemplo disso é quando vão ao restaurante e os pais não conseguem sentar à mesa porque a criança não para no lugar, nem nas cadeiras próprias para eles, ficam gritando, chorando, reclamando, de tal modo que se torna incômodo e atrapalham as pessoas que estão à volta, além de ser uma situação muito desagradável inclusive para os pais. Cada hora é um que sai com a criança para que o outro possa ver, comer, rezar.

Esse estresse se dá por conta de em casa eles fazerem o que querem; sem regras ou limites, deixando de aprender sobre como devem se comportar fora de casa. Infelizmente por conta da correria do dia a dia, dar limites aos filhos, como dito anteriormente, dá trabalho e leva um tempo. Uma consequência comum é a tentativa de suprir as necessidades de limites com presentes ou trocas, caso o filho se comporte no momento. Essas tentativas são frustrantes, tanto para os pais quanto para os filhos, porque quando chegam aos lugares, principalmente nas escolas, e encontram regras que precisam ser seguidos para um bom andamento da organização, acabam encontrando dificuldades.

É uma geração de característica imediatista, que quer tudo agora e, no caso de uma falta de sucesso, muda e quer outra coisa. Exemplifico com o caso de uma mãe que perguntou se a professora deixou o filho dela pensando e ela respondeu que sim, pois tinha tido uma atitude inadequada. Logo a mãe respondeu que não tinha gostado, pois em casa ele pode fazer o que quiser. Podemos dizer que essa atitude não ajuda em nada, muito pelo contrário, irá atrapalhar essa criança no futuro bem próximo, em relação aos seus relacionamentos e a aceitação de um NÃO. Essa palavra, que tantos não utilizam mais, é importante para a formação do caráter desse indivíduo.

É necessário formar pessoas que saibam lidar com as frustrações. Apenas dessa forma lidarão com mais tranquilidade os desafios que acontecerão ao longo da vida. Precisa ser ensinado a eles o VERDADEIRO VALOR de uma pessoa, tendo como base o RESPEITO.


Letícia Brandão

Letícia Guedes Bizigatto Brandão é pedagoga e trabalha com educação há 25 anos. Desde 2006 é diretora do Colégio Evoluti, em São José dos Campos e carrega consigo um amor à educação de fazer a diferença na vida dos alunos, formando gente de verdade. Sua maior certeza na vida é de que “sonho que se sonha junto torna-se realidade”.

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