Mães em quarentena: 79% afirmam sentirem sintomas de ansiedade durante isolamento social

Uma das grandes dificuldades do atual momento é conciliar trabalho, tarefas domésticas e filhos

por outrosquinhentos.com

Devido às medidas de isolamento adotadas em todo país, diversas famílias tiveram que readequar suas rotinas dentro de casa. Para as mães, muitas das vezes, essa mudança consiste em desafios, tais como conciliar vida profissional, maternidade e afazeres domésticos, sem se esquecer da saúde mental. Segundo pesquisa conduzida pela Catho com cerca de 7 mil respondentes, 60% das mulheres afirmam sentirem os impactos do isolamento social na sua saúde emocional, com destaque para a ansiedade, apontada por 79%.

Para Tábitha Laurino, gerente sênior da Catho, conciliar funções de mãe e profissional sempre foi o desafio de muitas mulheres. Hoje, com o atual cenário atípico – filhos estudando em casa juntamente com o trabalho remoto das mães, por exemplo – administrar essas atribuições acaba refletindo na saúde mental feminina, já que antes era possível programar e dividir o dia, o que não acontece atualmente.

De acordo o levantamento, dentre as maiores dificuldades do trabalho remoto das mães em quarentena estão: conciliar isolamento social e saúde mental (42,5%), conciliar trabalho, tarefas domésticas e filhos (40,5%), falta de espaço adequado para trabalhar (23%) e falta de concentração para as atividades profissionais (23%).

“Equilibrar atividades como limpeza de casa, alimentação, trabalho remoto, tempo com a família e, às vezes, ensino à distância dos filhos, já que muitas escolas adotaram o método de aulas on-line, é uma tarefa e tanto para as mães de quarentena. Definir algumas estratégias de convivência auxiliam nesse processo, tais como propor divisão das tarefas com as pessoas da casa, promover uma lista de entretenimento para os filhos e até separar alguns momentos de atividade em família”, explica a profissional.

A pesquisa também mostra outros fatores causados pela quarentena: stress (49,5%), cansaço mental (48%), desmotivação (44,5%), perda de sono (44,5%), tristeza (43%), solidão (17,5%) e depressão (14%).

Mesmo com a carga maior direcionada para as mulheres em home office, cerca de 58% delas têm conseguido ter mais tempo para realizar outras atividades além do trabalho, entre os homens esse número é de 71%.

“Uma rápida leitura dos dados mostra as dificuldades das mulheres, mas também que é possível se organizar e delegar funções para ter mais autonomia. Para as mães que ainda não conseguiram achar a fórmula certa, já que cada uma tem seu ritmo, o ideal é não se cobrar demais, afinal, é um momento de grande desafio e todos estão se organizando para achar o melhor formato para as suas rotinas. O importante é procurar satisfação nas pequenas coisas do dia a dia, incluindo a própria família”, aconselha Laurino.

Maternidade e mercado de trabalho

Ainda de acordo com o levantamento, 36,5% das mulheres já deixaram o mercado de trabalho para cuidar dos filhos. Entre os homens esse número é quatro vezes menor, atingindo 9%. O estudo ainda revela que o período de pausa é maior entre as mulheres: cerca de 27% param suas atividades profissionais por um ano, entre os homens esse período de paralisação é de cerca de 18% dos casos.

Ainda que com poucos avanços, foi observado um participação maior dos pais no período de nascimento dos bebês. O levantamento identificou que 67% dos pais aderem ao sistema de licença-paternidade, voltando quase que imediatamente – de acordo com 97% dos respondentes – para o mercado de trabalho após esse período.

Então, como equilibrar a vida pessoal e profissional?

Um estudo realizado pela FGV mostra que metade das mulheres que têm filhos perdem o emprego em até dois anos depois da licença-maternidade. Foram ouvidas na pesquisa 247 mil mulheres com idade entre 25 e 35 anos. A maioria afirmou também ter sofrido hostilidade no ambiente de trabalho desde a gestação.

Segundo mais um estudo do Vagas.com, 52% das mães que trabalham dizem já ter passado por algum constrangimento durante a gravidez ou no retorno da licença-maternidade. Entre elas, 20% relatam ter sido demitidas ainda que a lei trabalhista vete demissão sem justa causa durante a gravidez e até 5 meses após o parto.

De acordo com a mesma pesquisa, quase 71% das entrevistadas disseram ter sido questionadas sobre filhos e planos de engravidar em seu processo seletivo mais recente.

Preconceito

Erika Linhares, pedagoga, ex-diretora nacional de uma grande multinacional, e atualmente sócia da B-Have, empresa que treina colaboradores e líderes com foco no comportamento, conta que também passou por situações constrangedoras por ser mãe.

Certa vez, uma reunião em que estava atrasou bastante para terminar e ela teve que pedir para se retirar já que tinha que ir a uma reunião escolar da filha. Todos que estavam na reunião, que na maioria eram homens, olharam para ela assustados e até indignados.

“Questionei os homens que estavam presentes na reunião e cujas esposas não trabalhavam fora. Qual é sua preocupação em comprar comida para a sua casa? Com o pediatra do seu filho? De ir numa reunião escolar? Se sua casa está limpa e roupa passada? Nenhuma porque você tem uma pessoa que te ajuda. Se você está onde está hoje é porque ela também não te dá nenhum acúmulo, ela te dá total tranquilidade de pensar só no trabalho. Comigo isso não acontece, eu acumulo funções”, comentou Erika.

É preciso que as mulheres sigam lutando por direitos iguais aos dos homens. E, por outro lado, é necessário que os homens se percebam mais em suas atitudes e pratiquem o respeito. Para isso, é necessário que as empresas entendam que a diversificação é fundamental para poder inovar e ter resultados exponenciais. Todo mundo pensando da mesma forma não adianta. A empresa precisa treinar homens e mulheres a conviverem juntos, compreenderem o outro e a somar.

“Juntos nós, mulheres e homens, vamos mudar essa realidade que vai fazer bem tanto para a mulher porque ela vai ter mais independência de atitude, como também para o homem, com mais diversidade de pensamentos, menos preconceito e menos vaidade”, afirma Erika.

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