Mesmo com a evolução dos formatos de comunicação, a escrita ainda tem seus encantos

por Daniela Santos, para outrosquinhentos.com*

Desde pequena, uma das minhas facilidades era escrever. Na escola, tirava boas notas nas redações e acredito que, até hoje, mesmo após ter desenvolvido diferentes habilidades de comunicação e lapidado outras, este método ainda seja minha melhor forma de se expressar.

E como a escrita é importante em nossas vidas! Com ela manifestamos os mais lindos sentimentos, nos declaramos a alguém especial… mas podemos, também, magoar o outro de um modo profundo. Afinal de contas, as palavras têm grande poder e a escrita o dom de eternizá-las. É possível deixar aquele conteúdo manuscrito registrado, em algum papel, programa de computador, site, portal, mensagem de texto para sempre. Com a escrita, temos acesso a descobertas da medicina que podem significar um marco na história da humanidade, por meio de artigos científicos, e possibilitar que essas informações sejam consumidas por pessoas com maior ou menor grau cognitivo.

Essa relação, claro, influenciou e tem, até hoje, domínio sobre minhas escolhas, principalmente, as profissionais, pois foram papel, lápis e caneta alguns dos instrumentos que me chamaram a atenção para o jornalismo, porque queria conhecer e contar histórias. E como tenho orgulho disso. Meses atrás, me peguei pensando em quantas coisas boas já tive oportunidade de colocar em folhas brancas do word ou de programas online e compartilhar por aí. Obviamente, há fatos nem um pouco positivos, mas que fazem parte do trabalho do jornalista. (Dos contras desta profissão tão apaixonante. Quem é da área, sabe!).

Algumas situações nos marcam. Quando estagiava num famoso jornal da região do Vale do Paraíba, fiz uma matéria sobre mães que não conseguiam vagas em creches para os filhos: realidade bem comum para uma sociedade que despreza a educação e limita oportunidades às mulheres no mercado de trabalho.

Ouvi relatos de muitas dessas mães e, na sequência, lá fui eu cobrar respostas da prefeitura. (No jornalismo, precisamos ouvir os dois lados da história para sermos o mais imparcial possível. Mesmo nos casos mais absurdos, é necessário registrar o posicionamento da outra fonte). “Feita a lição de casa”, publiquei a matéria no site e, no fim do dia, ela foi pra a versão impressa também. Cerca de uns 20 dias depois, uma das mães me mandou mensagem, através de uma rede social, me agradecendo pela matéria. Acredito que ela não saiba, mas ganhei meu dia. Fiquei tão emocionada com fato de uma ação minha, fruto de meu trabalho, ser efetiva para que aquele grupo de mulheres conquistasse seus objetivos, previsto em lei, em nossa Constituição Federal. É direito das crianças o acesso à educação.

Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.

Essa foi só uma de outras centenas de histórias de vidas que me marcaram e me fazem emocionar, até hoje. Casos que carrego comigo e, muitas vezes, me serve como exemplo e combustível para seguir em frente em meio a uma realidade tão difícil do país. Vivências essas que me fizeram lembrar que escolhi uma profissão nobre – e muito nobre! – do juramento que fiz, para mim mesma quando comecei a trabalhar na área: De fazer a diferença na comunidade onde estou inserida. Não vou mudar o mundo, essa é a verdade, mas posso contribuir para que ele seja mais justo e humano, por meio de minhas ações e dessa grandiosa profissão. E é esse sentimento que me move, mesmo nos dias mais nebulosos. Se todos nós tivéssemos este compromisso, com certeza, viveríamos num mundo mais agradável.

Que nunca me falte palavras e ideias para continuar preenchendo muitas páginas em branco e eu espero que, num futuro não muito distante, a profissão de jornalista seja melhor reconhecida por representantes políticos e pela própria população. Que fique claro, de uma vez por todas, que a imprensa é uma voz da sociedade e uma ferramenta fiscalizadora, também. Mais respeito aos profissionais, por favor.

*Os textos dos colunistas são de responsabilidade de seus autores e não necessariamente expressam a opinião de outrosquinhentos.com



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