O aumento dos custos hospitalares e o reembolso pelos planos de saúde: hospitais buscam soluções preventivas à Covid-19

A pandemia que acomete o mundo desde 2020 causa alterações nos gastos de hospitais e aumenta a necessidade de técnicas preventivas ao vírus Sars-CoV-2

Por Fábio Aguiar, para outrosquinhentos.com*

Em 11 de março de 2020, Tedros Adhanom, diretor geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), declarou: “Estamos muito preocupados com os níveis alarmantes de contaminação e, também, de falta de ação dos governos; por essa razão, consideramos que a Covid-19 pode ser caracterizada como uma pandemia”.

Ainda que o vírus Sars-Cov-2 — causador da doença que motivou o comunicado da OMS — não fosse novidade no mundo e já tivesse exigido mobilizações governamentais e sociais ao redor do planeta, foi com a mudança de escala geográfica na abordagem da doença que o impacto se tornou claramente global. E os hospitais, centros de tratamento da patologia da vez, tornaram-se ainda mais protagonistas no tratamento e recuperação de pacientes atingidos pelo vírus.

As mudanças causadas pela Covid-19 começaram a exigir novos protocolos, cuidados e, por consequência, mais custos aos hospitais. A fácil e rápida disseminação do patógeno entre a população obrigou centros hospitalares a oferecer novos treinamentos e recomendações a funcionários, fez com que houvesse a necessidade da criação de alas de pacientes sem Covid, trouxe a necessidade de fortalecer os EPIs (equipamentos de proteção individual) e, ainda, obrigou que novos checklists e materiais fossem adotados nos blocos cirúrgicos. Não bastasse o aumento dos gastos mais inerentes à atuação médica, outros custos foram encarecidos, como recipientes de alimentação, preferencialmente não retornáveis ou reutilizáveis.

O resultado de algumas mudanças impostas pelo vírus pode ser vislumbrado em números. O preço de remédios, por exemplo, subiu 16% em hospitais na pandemia, de acordo com o Índice de Preços de Medicamentos para Hospitais (IPM-H), divulgado em dezembro do ano passado. Entre as principais causas para o aumento estão a expansiva demanda por insumos e a alta cambial. Além dos gastos com remédios dos hospitais, os custos no atendimento de prontos-socorros cresceram 89% na pandemia. É o que mostra um estudo recente feito pela Planisa (consultoria especializada para o segmento da saúde) com base em 105 hospitais brasileiros, entre públicos, privados e filantrópicos. Além de despesas com diagnósticos de doença tardios e outros dispêndios assistenciais, o tratamento de sequelas causadas pela Covid-19 ajuda a puxar os gastos ambulatoriais para cima.

Ademais, os reembolsos feitos pelos planos de saúde aos hospitais — devido aos custos empregados pelas unidades clínicas — não seguiram um aumento em suas tabelas proporcionalmente às despesas hospitalares. E, quando aumentaram, não seguiram a inflação, o que causou certo desequilíbrio financeiro e trouxe maior onerosidade às unidades de saúde.

Ao menos há uma tendência futura de teor positivo, afinal, diante do avanço da vacinação no mundo e a diminuição de internações e sequelas causadas pela Covid, os custos médicos devem arrefecer. “As vacinas estão nos dando esperança real de controlar a pandemia nos próximos 12 meses”, é o que diz a OMS e o que todos nós esperamos que aconteça.

*este conteúdo é uma contribuição de Fábio Aguiar, fundador e CEO da Ufa Hospitalar, empresa de materiais descartáveis como solução para o atendimento dos pacientes e acompanhantes nos hospitais. Os textos de colunistas e convidados são de responsabilidade de seus autores e não necessariamente expressam a opinião de outrosquinhentos.com

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