Pandemia x 2021: os impactos das fintechs nos bancos tradicionais

As fintechs e os investimentos em ações estão mais presentes nas vidas dos brasileiros, mexendo com o mercado financeiro e, principalmente, com os grandes bancos e suas relações com os clientes. E quais os reflexos disto? 

Da Redação | outrosquinhentos.com

Quem responde é o assessor de investimentos Willian Sávio, da unidade matriz de São José dos Campos da Plátano Investimentos – XP Investimentos.

“Em 2012, uma mudança regulatória permitiu com que os bancos abrissem contas de forma não presencial e isso revolucionou o mercado bancário e financeiro. Hoje, qualquer cliente abre conta num grande banco ou numa fintech pelo celular em minutos”, lembrou Sávio.

Quando pensamos nos impactos que os bancos digitais causam nos tradicionais, comparamos com os impactos do WhatsApp sobre a receita das telefonias com SMS. Muito antes do recente PIX, já não fazia sentido pagar R$14,00 para fazer uma TED.

“Somando esse fator redução de custo, que automaticamente reduz o lucro das instituições, as fintechs tem como público-alvo, em sua maioria, jovens que ingressam ao mercado de trabalho. Hoje, um estagiário tem uma conta no Banco Inter, por exemplo, e daqui 20 anos, ele e outros milhares terão uma condição financeira mais vantajosa e já terá crescido dentro de “um sistema” fintech. Assim, o trabalho que os “banquinhos” tem para conquistar uma grande conta hoje, será convertido num processo simples e natural, exemplificou o assessor.

Apesar da concorrência trazer uma série de serviços como custos baixos ou até zero, bancos como o Itaú tem receita de cerca de R$10 bi com serviços, enquanto apenas R$2 bi vêm de serviços de conta corrente, sendo o restante oriundos de serviços que ainda não são tão impactados pelas fintechs, como área de crédito, de estruturação de dívidas, investimentos e seguros.

Panorama 

Estamos saindo de uma das maiores crises de nossa história, com impactos também no bolso das pessoas e empresas. Consequentemente para 2021 haverá necessidade de financiamentos com muito crédito para “sair do buraco”.  Bancos privados como o Itaú e Bradesco têm caixa para serem atores nesse movimento. Bancos públicos, como o Banco do Brasil, são os grandes líderes no crédito para o agronegócio, e ainda tem a maior carteira de seguros e previdência do país. – ” Por isso, os grandes bancos ainda são e devem ser por mais tempo o coração do setor financeiro no país”, apontou Sávio.

Mesmo que bancos como Inter, Pan, Banrisul, BMG e outros ainda não tenham poder para bater de frente em todas as áreas com um Bradesco ou BB, alguns já despontam, como é o caso da XP, que era uma fintech e hoje já é maior que o Santander e vale mais da metade do Itaú. Os diferenciais da XP se concentram em serviços, capitanear lançamentos de empresas na Bolsa, crédito barato e serviços de câmbio com custo zero, dentre outros. Uma verdadeira revolução.

“E de modo algum existe a expectativa de que os grandes bancos irão quebrar. A consequência esperada é maior competitividade. O efeito poderá ser fechamento de agências e redução de margem de lucros, o que não deixa de ser saudável, visto que o Brasil tem as maiores margens do mundo”, explicou o assessor de investimentos.

Mercado de Ações 

A pandemia promoveu um interesse em ações. A educação financeira ajudou muita gente a conhecer os ativos à disposição na B3. Entre eles estão os dos bancos, sejam fintechs ou tradicionais.

Um outro ponto interessante sobre esses dois grupos de bancos é que muitos dos bancos mais digitais, como BTG e Inter, estão na faixa de preço do período pré – pandemia, em torno de R$80,00; e o Banco Pan, em torno de R$10. O movimento de recuperação dessas ações seguiu em linha com ações de tecnologia em bolsas pelo mundo inteiro.

Já as ações de Bradesco e Itaú, conhecidas como boas pagadoras de dividendos, ainda estão longe de recuperar o preço do começo do ano. Bradesco saiu de R$33 por ação, foi a R$15, e no começo de dezembro, na faixa dos R$25, precisando subir mais 30% para recuperar a máxima de 2020.

“Hoje, meus assessorados investem numa seleção muito específica de instituições financeiras que tem um potencial de ganhos de até 50%, segundo grandes analistas do país. Para quem quer investir nesse segmento, a dica é procure um assessor de investimentos para entender como essa crise pode impactar o pagamento de dividendos, quais instituições sofrem mais e menos com inadimplência e como gerenciar o risco num setor com tamanha competitividade. Por este caminho, as chances de ter uma boa experiência em investimentos nos ativos bancários podem ser melhores”, finalizou o assessor da Plátano.

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