Precisamos falar sobre o significado do “Novo Normal” na educação

Não há dúvidas de que a pandemia da Covid-19 e a necessidade de isolamento tem um impacto nos indivíduos, instituições e na sociedade que ainda é muito difícil de mensurar. Assim, nasceu um termo tão vago quanto nossa capacidade de prever o futuro, o famigerado  “Novo Normal”.

Mas, no caso específico da educação básica, o que esse termo pode significar? O que há de novo? Quais são essas novidades em curso? 

por Lucas Bispo, para outrosquinhentos.com*

Antes de mais nada, é preciso lembrar que a discussão sobre a escola ideal ou a educação mais adequada é uma reflexão quase tão antiga quanto a filosofia, presente desde a Academia de Platão ou o Liceu de Aristóteles. E, possivelmente, essa será uma discussão eterna. Mas, no fim das contas, não é melhor que seja assim?

O papel da escola está sempre mudando

A escola deve ser, antes de mais nada, um organismo vivo capaz de acompanhar as mudanças dos indivíduos e da sociedade. Os humanos e as noções de civilização mudam em uma velocidade cada vez maior.

Então, se existe um papel a ser cumprido pela escola neste sentido, é a função de fomentadora permanente de ideias e debates sobre qual o seu papel enquanto instituição de ensino.

Cada instituição deve estar comprometida com a capacitação permanente de seus educadores e colaboradores. Cada escola deve, enfim, ser capaz de se ressignificar inúmeras vezes ao longo do tempo, a partir dos novos desafios da humanidade.

Até poucas décadas atrás, por exemplo, as instituições de ensino faziam parte de um seleto grupo que detinha o monopólio do saber. Então, parecia fazer sentido que todo o processo educacional fosse baseado na esfera do conteúdo.

A escola tinha, portanto, um papel de transmissora daquelas ideias que eram consideradas essenciais para serem compartilhadas pelos indivíduos.

Por uma escola que forma cidadãos críticos e éticos

Hoje, as pessoas podem ter acesso às principais obras, ideias e descobertas realizadas pela humanidade deslizando o dedo algumas vezes pela tela do smartphone. Mas, obviamente, isso não esvazia o papel da escola, mas ressignifica, já que essa mesma democratização da informação gerou outros problemas, como a propagação de informações falsas.

Portanto, neste momento, a escola deve se dedicar também a criar cidadãos éticos e críticos, capazes de lidar com todo o excesso de informações e de ruído que a tecnologia proporciona.

Por uma escola que forme pessoas emocionalmente resilientes e inteligentes

Um outro dado da realidade que deve pautar o trabalho das instituições de ensino básico é a crise na saúde mental. Crise essa que não começou na pandemia e no isolamento, mas também se agravou.

Aliás, muitas vezes, a própria cultura conteudista e resultadista das escolas contribui para disseminação de casos de crianças e adolescentes com distúrbios de ansiedade e depressão, vide a pressão que é colocada nestes jovens e pelos ideais de sucesso que são propagados.

Agora, mais do que nunca, é indispensável que a esfera socioemocional dos estudantes tenha atenção redobrada das escolas. Mas, vale lembrar que, muito antes da pandemia e do isolamento social, esta discussão já estava posta.

Que o “Novo Normal” não seja mais um termo vazio

Diante de todas essas discussões e da necessidade flagrante das escolas se reinventarem, e se colocarem em uma postura de constante ressignificação, percebemos que não há nada de tão novo no “Novo Normal”.

A verdade é que, as escolas que já vinham desenvolvendo seus estudantes com o intuito de torná-los cidadãos emocionalmente resilientes, críticos e éticos, tendem a lidar com essa crise de maneira mais tranquila.

Por outro lado, se este “Novo Normal” for capaz de acelerar as mudanças de paradigmas das instituições de ensino, fazendo com que valorizem, cada vez mais, toda a complexidade das dimensões humanas de seus estudantes, ótimo. Que assim seja!

*este conteúdo é uma contribuição de Lucas Bispo

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