Qual a diferença entre Tom Brady e os outros aposentados do futebol americano?

Chega ao fim uma era com a aposentadoria do lendário quarterback, considerado por muitos, inclusive este que vos escreve, o maior jogador de todos os tempos no esporte. Mas nem tudo é glamour com os que encerram sua carreira nos campos

por Diogo Oliveira, para outrosquinhentos.com* | Foto de Capa: Kim Klement/USA Today Sports/via Reuters

Em um longo texto nas redes sociais no dia 1 de fevereiro, o maior campeão de Super Bowls da história, com sete títulos e aos 44 anos de idade, detalhou o porquê da parada. Entre outras coisas, falou em desafio físico, mental e emocional durante os 22 anos de atividade na principal liga da bola oval do mundo.

Thomas Edward Patrick Brady Jr. nasceu em 3 de agosto de 1977, em San Mateo na Califórnia. Em sua carreira universitária, defendeu a Universidade de Michigan até ser selecionado pelo New England Patriots como a 199ª escolha do draft de 2000 e, com todas as conquistas acumuladas ao longo de sua carreira, é considerado o maior custo-benefício de toda a história da NFL.

Curiosamente, os Patriots não precisavam exatamente de um quarterback para aquela temporada. O elenco já contava com três jogadores da posição, como usualmente acontece na NFL (Liga Americana de Football, em inglês). Porém, a comissão técnica de Bill Belichick preferiu ficar com 4 quarterbacks para não deixar passar a oportunidade de recrutar Tom Brady.

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Eleito cinco vezes MVP (jogador mais valioso, na sigla em inglês) do Super Bowl e duas vezes Jogador Ofensivo do Ano na NFL, ele ainda foi indicado seis vezes para o All Pro (termo usado para formar uma “seleção da temporada”) e acumula 243 vitórias na carreira. Para se ter uma ideia do tamanho do atleta no esporte, ele tem mais conquistas de NFL que qualquer equipe (as maiores vencedoras são os próprios Patriots e o Pittsburgh Steelers, cada uma com seis honrarias).

Na atual temporada, Tom foi eliminado com o Tampa Bay Buccanners na segunda rodada dos playoffs pelo Los Angeles Rams, que disputará o Super Bowl LVI contra o Cincinnati Bengals no próximo dia 13 deste mês.

Porém, nem tudo são flores como foram para Tom

99% dos ex-jogadores da NFL sofrem lesões cerebrais segundo um estudo da Boston University, publicado no Journal of American Medical Association. A doença conhecida como Encefalopatia Traumática Crônica (ETC) é uma enfermidade degenerativa relacionada à choques na região da cabeça. A discussão sobre sua relação direta com a prática do esporte começou há pouco mais de uma década. Especialmente antes dos anos 2000, onde não existiam protocolos que removessem os atletas de uma partida após eles sofrerem fortes impactos em campo. Apesar de os capacetes serem uma proteção evidente, os jogadores eram enviados de volta para o jogo, mesmo que cambaleando.

No total, o estudo examinou 202 cérebros de pessoas mortas que jogaram em alguma categoria do futebol americano, da escola à NFL, depois dos anos 60. A ETC está presente em 87% deles, 177. Entre aqueles que chegaram a jogar como profissionais a proporção é superior a 99%. Os órgãos estudados estão depositados em um banco de cérebros de Boston administrado pelas duas instituições e criado em 2008 para estudar essa questão.

A conclusão do estudo se limita a dizer que “em uma amostra de jogadores de futebol americano mortos que doaram seus cérebros para a pesquisa, uma alta proporção tinha provas neuropatológicas de ETC, sugerindo que a ETC pode estar relacionada com a prática do futebol americano”.

A liga nacional de futebol americano evitou o debate em público sobre a ETC durante anos até que no ano passado, pela primeira vez, um executivo da organização admitiu a relação entre a modalidade e a doença. O debate atingiu seu maior nível de visibilidade com filme Concussion (Um Homem entre Gigantes), de 2015, sobre o médico que diagnosticou a relação entre a doença e o esporte mais popular dos EUA. Naquele ano, a NFL chegou a um acordo em uma ação coletiva de milhares de ex-jogadores comprometendo-se a pagar cinco milhões de dólares (cerca de 15,85 milhões de reais) a cada atleta aposentado com sequelas neurológicas graves.

Por sorte, esse não deve ser o futuro do astro Tom Brady, que segundo ele vai se dedicar a família e as empresas de NFTs que possui.

*este conteúdo é uma contribuição de Diogo Oliveira, jornalista e graduando em Educação Física e colunista em outrosquinhentos.com. Os textos dos colunistas são de responsabilidade de seus autores e não necessariamente expressam a opinião de outrosquinhentos.com
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