Resiliência: 11 passos para lidar com os problemas de forma positiva

Psicoterapeuta explica como sair do ciclo de frustrações e transformá-lo em uma oportunidade de crescimento

por outrosquinhentos.com

Ser resiliente é ter a capacidade de se adaptar e se recuperar de situações impactantes. Quando se vivencia uma decepção, por exemplo, a saúde emocional se abala e os efeitos negativos podem se arrastar por semanas. Ao passar por adversidades psicológicas ou físicas exercitando a capacidade de resiliência pode-se minimizar o sofrimento mental – até mesmo em contextos mais graves, como o de uma pandemia.

A psicoterapeuta Sabrina Amaral, da Epopeia Desenvolvimento Humano, explica que é possível lidar com a frustração de uma forma saudável e, até mesmo, útil. Por isso, listou 11 passos para transformar esse sentimento em uma ferramenta para alavancar o crescimento pessoal.

1. Aceite aquilo que você sente

Sim, a decepção dói. E está tudo bem. Não tente negar o sentimento ou escondê-lo atrás de um sorriso falso. Fica bem mais fácil de lidar com a situação quando não caímos na tentação de fingir que está tudo bem. Em vez disso, aceite aquilo que sente, deixe doer por um tempo.  Se permitir sentir fará com que a dor passe mais rápido. Isso é muito melhor do que ficar dias vivendo-a em doses homeopáticas, reforçando atitudes pessimistas e autosabotadoras.

2. Lembre-se: só erra quem faz

Sabe quem é que nunca se frustra ou se sente irritado por causa dos acontecimentos da vida? Aquela pessoa que nunca sai da zona de conforto. Todas as pessoas que são hoje consideradas bem sucedidas se arriscaram em algum momento da vida e certamente tiveram sua cota de frustrações e fracassos. Se você errou, esse é um sinal de que você está tentando crescer e se desenvolver. Ter esse fato em mente te ajuda a ficar forte e a lidar mais facilmente com seus próprios tropeços e dissabores.

3. Abandone os rótulos

Só porque você teve um contratempo, cometeu um erro ou decepcionou outra pessoa não significa que você seja uma decepção ou fracasso em tudo o que faz. A sensação de peso que você sente quando as coisas dão errado não vai durar para sempre, ainda que pareça assim naquele momento. É comum nós pegarmos um fato isolado e generalizá-lo para todas as circunstâncias que se desdobram depois dele, atribuindo-nos rótulos negativos e destrutivos. Opte sempre por ter uma atitude mais generosa consigo mesmo, sabendo que dará o seu melhor para agir diferente daquele ponto em diante.

4. Cuidado com as expectativas irreais

Quanto mais você exige ou espera perfeição de si mesmo ou das outras pessoas, mais se frustra. Portanto, verifique se sua régua não está um pouco alta demais. Acreditar nos mitos da perfeição só irá prejudicar a você mesmo e às pessoas em sua vida. Afinal, esses momentos que são ostentados nas redes sociais e disseminados nos filmes românticos não estão presentes em nosso cotidiano com a mesma frequência com que os idealizamos. Insistir nessa atitude prejudica seus relacionamentos, sua carreira e sua felicidade. Então, se você quer ter uma vida mais leve, pare de exigir tanto de si.

5. Faça disso um aprendizado

Em vez de se perder na angústia e desconforto que podem surgir da frustração, prefira encará-la como uma alavanca que pode ajudar você a se desenvolver. A melhor maneira de conseguir fazer isso, na minha opinião, é respondendo a três questões:

  • Isto que aconteceu é uma oportunidade para eu aprender o quê?

  • Se pudesse voltar no passado, com o conhecimento que tenho agora, como agiria?

  • O que posso fazer diferente da próxima vez?

Talvez você descubra que poderia ter se comunicado melhor, ou que poderia ter dado um tempo em suas atividades para evitar erros e pensar com mais clareza. Você pode até descobrir formas de usar melhor seu tempo – ou não usá-lo – com pessoas que te decepcionaram (ainda que isso pareça difícil).

6. Busque formas de aliviar a pressão

Se você é do tipo que se recusa a fazer uma pausa entre suas atividades, pois acredita que a interrupção vai atrapalhar sua produtividade, você está enganado. Uma pausa ajuda você a se distanciar do problema e ver as coisas com mais nitidez. A neurociência já mostrou que quando tiramos um tempo para relaxar, oscilar entre atividades, divertir-se ou fazer algo diferente, temos mais energia e criatividade para encontrar soluções. Quanto mais o seu equilíbrio interno estiver em dia, mais fácil será lidar com contratempos de maneira mais construtiva e mentalmente centrada.

7. Um olhar de fora pode ajudar

Ter uma perspectiva mais objetiva e ampla do que aconteceu é fundamental para lidar melhor com a frustração. Uma das maneiras mais poderosas de fazer isso é tendo a contribuição de um olhar de alguém de fora da situação.  Isso pode ser feito por meio de uma boa conversa com um amigo, um mentor ou até mesmo um terapeuta.  Quando você fala sobre o assunto, alivia a pressão, organiza as ideias, calibra sua percepção de realidade e peso em relação aos fatos.  Essa pessoa pode trazer uma nova perspectiva, ajudar você a não fazer ‘tsunami em tampinha de garrafa’ e contribuir com sua visão diferenciada dos fatos.

8. Combata os pensamentos sugadores de energia

Se você sabe que tem a tendência de ficar preso a pensamentos ruminantes de uma situação negativa é importante romper o círculo vicioso. Você pode, por exemplo, tirar o foco da atenção oferecendo ajuda a alguém. Ser prestativo, ouvir com atenção o problema da outra pessoa – a genuína intenção de ajudar tira você do looping de pensamentos negativos. Outra alternativa eficaz é fazer qualquer tipo de atividade física: caminhada, polichinelos, subir e descer escadas, qualquer coisa que faça você queimar energia e ativar outras áreas do cérebro.

9. Recarregue a pilha

Para aumentar o seu nível de motivação mantenha contato com coisas que te energizam.  Crie por exemplo um repositório de ‘super reservas’, onde você irá guardar e-mails com elogios, mensagens de WhatsApp com reconhecimento por algo bom que tenha feito, fotos de momentos felizes, bilhetes, cartões, entre outros. Este repositório irá elevar seu astral instantaneamente.

Outra técnica interessante é criar um diário do “Eu sou”.  Pegue um caderno escreva todos os dias no mínimo 3 coisas pelas quais você gostaria de se reconhecer (no começo o exercício é desafiador, mas gradativamente, vai ficando mais fácil elevar sua autoestima e moral).  Você pode buscar ainda apoio externo ouvindo podcasts, assistir vídeos motivacionais de mentores que você admira, ouvir uma playlist de músicas animadas. Enfim, dedique pelo menos 10 minutos do seu dia nessa atividade e perceba a diferença na mudança do seu pensamento.

10. Exercite a visualização positiva

Depois de aceitar a situação, tirar os aprendizados do que aconteceu e reabastecer sua pilha, é importante dar pequenos passos em direção ao que você deseja. Para facilitar, faça o exercício da ponte ao futuro. Imagine como vai ser quando você tiver resolvido o problema, o que vai sentir, onde vai estar, o que vai ouvir. Dê vida a essa cena usando os 5 sentidos e tornando-a o mais real possível. Quando estiver no auge desse momento feliz, faça o caminho de trás para frente, imaginando qual foi o passo anterior para chegar onde você está. Em seguida, vá voltando o caminho passo a passo para ter clareza dos acontecimentos e ações que te levaram até lá.

11. Faça um plano de ação

Agora que você tem clareza do onde quer chegar e abriu o caminho para as possibilidades de fazer isso acontecer, é importante que você defina qual é a melhor estratégia para chegar até lá.  Você pode quebrá-la em micropassos para não correr o risco de procrastinar as ações. Também pode, ainda, validar o plano com alguém de sua confiança e pedir para que essa pessoa te acompanhe no reporte de cada etapa que for concluída, a fim de aumentar o seu nível de comprometimento. Geralmente, somos melhores em nos comprometer com os outros do que com nós mesmos.

Para finalizar, Sabrina Amaral evidencia a necessidade de respeitar o processo de autodesenvolvimento: “Formulei esses passos depois de acompanhar muitas pessoas em seus trajetos de angústias e frustrações. Então, calibre o seu nível de auto exigência para algo construtivo. Lembre-se, se tiver que se comparar a alguém, compare-se a si mesmo em relação ao dia anterior, esse é o tipo de comparação justa e adequada.  Seja gentil com você mesmo, assim como você costuma ser com os outros, pois as adversidades fazem parte da vida”, afirma a psicoterapeuta, que ainda acrescenta: “A dor é inevitável, mas o sofrimento pode ser opcional”.

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