Santa Casa de São José dos Campos é a 1ª no transplante hepático de todo interior paulista

Cidade joseense foi a que mais realizou esse tipo de procedimento em 2020, através do hospital filantrópico

Da Redação | outrosquinhentos.com

Referência no Vale do Paraíba em transplante de fígado, a Santa Casa de São José dos Campos levou a cidade a ser a primeira do interior paulista com o maior número de procedimentos realizados em 2020, e a terceira em todo o Estado, de acordo com o Sistema Estadual de Transplantes, da Secretaria de Estado da Saúde. No ano passado, foram realizados 51 transplantes na instituição filantrópica.

Apesar de o período de pandemia ter ocasionado a redução desse tipo de cirurgia em diversas localidades, o hospital alcançou bons números de cirurgias feitas e que trouxeram renascimento a dezenas de pessoas.

De 2009, quando a instituição iniciou o atendimento de transplantes hepáticos, até hoje, 341 pacientes foram transplantados. “Tudo começou em 2002, através do Dr. Itamar Coppio, que convidou o Dr. Luiz Augusto Carneiro D’Albuquerque (atual professor da Faculdade de Medicina e diretor do Serviço de Transplantes de Órgãos do Aparelho Digestivo do Hospital das Clínicas da USP) para montar a equipe de transplante.

A realização do primeiro procedimento ocorreu sete anos depois, após os profissionais receberem todo o treinamento necessário. A qualidade da atuação de todos que aqui trabalham – médicos, assistência e demais colaboradores, é demonstrada pelo número de cirurgias realizadas e que a cada ano vai crescendo”, ressalta o provedor da Santa Casa de São José dos Campos, Dr. Ivã Molina. Nesta semana, a equipe de transplantes foi homenageada pelo hospital, com uma placa de honra ao mérito pelo valioso trabalho que resulta em tantas vidas salvas.

O coordenador do setor de transplantes do hospital, Dr. Jorge Padilla, lembra a evolução do serviço em mais de uma década de atendimento e que consolida a instituição, cada vez mais, coma referência em transplantes de fígado.

“Foram criados protocolos, sistematizando as cirurgias, preparando todas as pessoas envolvidas no transplante, como enfermeiros, auxiliares, o pessoal que ajuda no centro cirúrgico, anestesistas, equipe de UTI, ambulatório, além de todo o apoio da Santa Casa. Então, nessa luta do dia a dia, com a organização, o comprometimento e o carinho de todos se formou uma família de pessoas compromissadas com o trabalho, que traz todo esse resultado”, fala o especialista.

Em dezembro, a Santa Casa de São José dos Campos ampliou o serviço no setor e iniciou as consultas para transplante de rim. Os pacientes vêm encaminhados de outros serviços, através de indicação médica ou pela Cross (Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde).

Na primeira consulta, o paciente é acolhido pela equipe e o médico conhece toda a história clínica, verifica os exames já realizados e solicita outros complementares para estudo do caso e avaliação mais criteriosa. O paciente é acompanhado por equipe multidisciplinar, enquanto aguarda a oportunidade do transplante, que também será realizado na Santa Casa.

Renascimento

O comerciante Carlos Vicente da Silva, 66 anos, morador de Cunha, não sabia se estaria ao lado dos entes queridos para celebrar a chegada de 2021. Portador de cirrose hepática há cinco anos, a única chance de sobreviver era o transplante de fígado. Em novembro, após três meses de espera na fila do órgão, recebeu a notícia de que seria transplantado. “Agradeço a Deus, à família do doador e toda a equipe médica da Santa Casa por terem me salvado”, fala.

Os últimos quatro anos do aposentado Otoniel de Moraes Arantes, 56 anos, de Monteiro Lobato, foram praticamente passados no hospital, também devido a uma cirrose hepática. Há 11 meses ele aguardava por um fígado e o renascimento veio em um momento em que as esperanças estavam se esgotando. “Eu estava internado, muito fraco. Não tinha muitos dias mais de vida, minhas chances eram poucas, pois a doença estava comprometendo outros órgãos, meus rins estavam parando, tinha até hemodiálise marcada”, conta.

O procedimento ocorreu no dia 1º de dezembro e hoje Otoniel tem muito mais do que só um ano inteiro pela frente. “Enquanto estive doente, vivi muito tempo no hospital. Agora vou fazer tudo o que sempre sonhei”.

No próximo dia 15, o autônomo José Ben Hur Caldas, 63 anos, de São Sebastião, completa seu segundo aniversário, pois foi nessa data, em 2020, que ele ganhou um fígado novo, seu “presente de Deus”. “Agradeço à toda equipe da Santa Casa de São José dos Campos pelo acolhimento, cuidado e eficiência. É notável a preocupação em proporcionar o melhor atendimento ao paciente”, destaca. “Viver é um presente divino e quem doa um órgão está dando uma segunda chance a quem necessita. Não somos um número na lista de espera, somos pessoas que têm família, amam e são amadas”, conclui.

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