SP466 ANOS: roteiro gastro cultural pode te receber depois de um dia de trabalho ou em bate-e-volta de um dia

No coração histórico ou econômico da cidade que não para e completa 466 anos em 2020, paulistano de raiz ou de coração tem opções a qualquer hora do dia para curtir cultura e gastronomia

por Carolina Veneziani e Dimas Vilas Boas, para outrosquinhentos.com

Que a cidade de São Paulo é icônica por diversos motivos, não é novidade para ninguém, mas fazemos questão de impressionar em números e características únicas. Pense numa cidade que é a maior do Brasil, da América (sim, da América inteira) e do hemisfério Sul. Cidade global, intensamente cosmopolita, recebe imigrantes dos mais diversos países do mundo e regiões do Brasil, sendo caracterizada como a maior comunidade nordestina fora do Nordeste e a que mais acolheu italianos, portugueses, japoneses, espanhóis, libaneses e árabes fora de seus respectivos países. Ok, precisamos de mais algum tipo de convencimento?

A título de enaltecimento de um roteiro tipicamente paulistano que fizemos em julho de 2018 e que você encontra aqui, voltamos a São Paulo para mostrar que é possível sim respirar diversidade cultural, gastronômica e histórica na cidade que, como o próprio lema diz, não é conduzida, conduz. E com bônus bem interessantes, diga-se de passagem: apresentamos desta vez sete roteiros culturais e gratuitos na Avenida Paulista, São Paulo vista de cima e lugares que visitamos e indicamos para fazer um pit stop bem apetitoso em meio aos passeios. Bora lá?

O centro Histórico-Financeiro e São Paulo vista de cima

Delimitado entre os distritos da Sé e República, o Centro Histórico de São Paulo abriga simplesmente a história da cidade, incluindo o Pátio do Colégio, local de sua fundação. Se você é do tipo de pessoa que gosta de entender a história de cada prédio ou construção, certamente vai se aprofundar e muito por lá. Nossa visita in loco se deu pelos pontos altos da região, ou seja, os prédios que servem de mirante para a cidade. Mas, de qualquer forma, listamos aqui os pontos turísticos que são indispensáveis em outras visitas.

Theatro Municipal: prédio de 1911 que fica localizado na Praça Ramos de Azevedo. Criado para suprir as necessidades dos barões do café, a construção abriga hoje algumas das principais atrações culturais da capital, bem como uma instalação recente: o Bar dos Arcos, que completou um ano de funcionamento em meados de dezembro e funciona no subsolo do Municipal.

Catedral Metropolitana de São Paulo: também conhecida como Catedral da Sé, localiza-se na praça de mesmo nome, de onde sai o Marco Zero da cidade e suas distâncias até as outras regiões limítrofes do estado. Inaugurada há 65 anos, é o quarto maior templo em estilo neogótico do mundo e ostenta altos números: com capacidade para abrigar até 8 mil pessoas, é a mais alta igreja de São Paulo com 111 metros de comprimento, 46 de largura, duas torres com 92 metros de altura e uma enorme cúpula.

Vale do Anhangabaú e Viadutos do Chá e Santa Ifigênia: espaços comuns de ligação história entre os centros velho e novo, são comuns por suas manifestações culturais e artísticas.

Por fim, vamos às alturas. Nossa primeira indicação do roteiro de mirantes da capital paulista está num prédio que você pode conhecer como Edifício Altino Arantes, Edifício Banespa, Banespão ou até mesmo não saber sequer o nome, mas com certeza vai saber qual é quando ver uma foto ou até mesmo o próprio, se destacando no centro como um dos mais altos e imponentes. E não é à toa.

Da antiga sala do presidente do Banco, bem como de um dos lados do Mirante, é possível ver a Avenida São João desde seu início, na Rua Líbero Badaró e Vale do Anhangabaú. Ainda à esquerda, o Edifício Martinelli, um dos quatro mirantes mais conhecidos do Centro Velho de SP / Foto: Dimas Vilas Boas

O Edifício Altino Arantes foi a sede do Banco Estadual de São Paulo S/A, o Banespa, hoje incorporado ao Grupo Santander. Atualmente, o prédio funciona como escritório administrativo do grupo e também oferece opções culturais, gastronômicas e turísticas. É lá que se encontra o Farol Santander, centro cultural que reúne exposições temporárias e permanentes, café, salas com a história do Banco Banespa e ambientes preservados como salas de reuniões e da diretoria da antiga corporação.

O Farol Santander (Edifício Altino Arantes) fica na Rua João Brícola, 24, no Centro Histórico e funciona de terça-feira à domingo, das 09h às 20h.

Ainda falando sobre mirantes, o Centro Histórico abriga outros três edifícios notáveis por suas histórias e alturas: o COPAN, o Martinelli e o Itália. O primeiro, projeto de Oscar Niemeyer, foi inaugurado em 1966 e se localiza na Avenida Ipiranga, 200. Sua estrutura de concreto armado a tornou a maior do país com 115 metros de altura, 32 andares e 1160 apartamentos. Para visitar o seu mirante é necessário agendamento prévio. Os horários são respectivamente 10h e 15h, com duração de 30 minutos, em dias úteis. As visitas são gratuitas.

O Edifício Martinelli fica tão perto do antigo Banespa que é possível ter uma vista estratégica de lá. Situado entre as ruas São Bento, Líbero Badaró e Avenida São João, o prédio datado entre 1929 e 1934 foi um dos símbolos da transição cidade-metrópole. Tem suas visitações permitidas em todos os dias da semana, em horários pré-determinados. Por ser um prédio pertencente à Prefeitura de São Paulo, o agendamento deve ser feito em ferramenta própria, disponível aqui.

Por fim, completa os quatro mirantes famosos do Centro Histórico o imponente Edifício Itália, que concentra em seu terraço um restaurante e vista 360 graus da cidade. O espaço se tornou tão icônico para a sociedade paulistana, seja pelo luxo, pelo atendimento ou, claro, pela vista, que a casa recebeu premiações significativas como “o melhor lugar para se pedir em casamento” ou “o melhor bar para ir a dois”.

Compras, mais compras e diversidade gastronômica no coração de SP

Se o Centro Histórico traz prédios imponentes e com características históricas inquestionáveis, uma dupla que não deixa a desejar divide – e bem – espaço com tantos edifícios: trata-se da Rua 25 de Março e adjacentes e o Mercado Municipal de São Paulo. E claro que este passeio não podia ficar de fora do nosso roteiro.

Ame ou odeie, o maior centro de comércio popular da América Latina é responsável pela movimentação anual de bilhões de reais nas quase cinco mil lojas, galerias, shoppings e camelôs da região. Circulam por este complexo cerca de 1,2 milhões de pessoas por dia, sobretudo das classes C, D e E.

Mercado Municipal de São Paulo: diversidade para todos os gostos e paladares

E nas proximidades da Rua 25 de Março, mais precisamente na rua da Cantareira, 306, está o Mercado Municipal. É nele que encerramos o tour histórico de São Paulo para dar vida ao roteiro cultural em meio à Paulista, mas não sem antes conhecer um pouco do espaço e da gastronomia local.

O Mercadão é basicamente dividido na parte térrea, onde se encontram diversas especiarias, inúmeras quantidades de frutas e verduras (algumas espécies até exóticas ou não comumente encontradas nos mercados tradicionais) além de cereais, grãos, amêndoas, carnes, peixes, frutos do mar… e no mezanino, local em que se concentram grande parte dos restaurantes de culinária exclusiva como os sanduíches de mortadela, bolinhos de bacalhau, entre outros.

Japa 25 é o ponto da culinária internacional e oriental dentro do Mercado Municipal de São Paulo. outrosquinhentos indica: aceitem a sugestão do chef, vale muito!

E para fugir à tradição e à regra de que estar no Mercadão de São Paulo é sinônimo de comer sanduíche de mortadela, nosso apreço ficou mesmo em uma culinária um tanto particular. Foi o Restaurante Japa 25 a nossa escolha para despedir do ‘Centrão’ da cidade que nunca para.

A casa se divide entre culinária oriental e internacional. Conversando com o chef Reginaldo Oliveira, descobrimos como o cuidado com a escolha dos fornecedores, dos alimentos e, principalmente, o preparo dos pratos, faz o Japa 25 ser escolhido a dedo pelos seus frequentadores.

O bar traz como seu carro chefe os chopes apresentados nas versões pilsen, black e slow beer, além das caipirinhas de jabuticaba, limão, morango, pitanga, jambo, siriguela e outras opções, todas criações de Reginaldo. Recentemente, a casa passou a oferecer uma carta dedicada de vinhos, para harmonizar com o rico cardápio.

Para quem deseja a culinária oriental, a casa oferece sashimis, niguiris, hosomakis e gunkas para uma, duas ou até três pessoas, além de temakis, yakisoba e outras opções. Entre as sugestões do cardápio internacional, risoto de camarão, frango xadrez ou o filé mignon à Provençal com risoto de queijo e farofa de banana.

O cardápio completo do Japa 25 você pode conferir aqui e o tour pelo Mercado Municipal pode ser feito de segunda a sábado, das 6h às 18h e nos domingos e feriados, das 6h às 16h. Para atacado, o Mercadão funciona de segunda a sábado, das 22h às 6h.

Do centro velho para o novo centro: o charme e a mistura da Avenida Paulista

Icônica e tida como um dos mais importantes endereços de São Paulo, seja por sua importância financeira, cultural e de entretenimento, a Avenida Paulista ao longo de seus 2.700 metros de extensão divide as regiões centro-sul, central e oeste da capital paulista.

Quando estivemos por lá em 2018, fizemos o percurso da Paraíso até a Consolação e, agora, resolvemos fazer o inverso. Para dar um impulso à caminhada, descobrimos uma simpática, afetiva e diferenciada cafeteria a poucos metros dali, a Rua Haddock Lobo, a Dopê Casual Food (Rua Haddock Lobo, 90 – Cerqueira César).

Dopê Casual Food: refúgio de conforto e diversidade em meio ao agito da Avenida Paulista e suas adjacências

Amantes de café e ideias diferenciadas que somos, curtimos muito a proposta. O Pedro Pignatari, dono da casa, nos contou que a ideia era de transformar a cafeteria num refúgio comfort food em meio ao agito da Paulista. Para atender a isso, um menu sem frescuras, pratos e receitas bem afetivas e de dar água na boca. Nós escolhemos experimentar uma tapioca recheada com requeijão de corte pernambucano e finalizada com ovo estalado que estava divina. Para adoçar aceitamos a sugestão do Pedro e degustamos um nevado de biscoito oreo, chocolate, café, sorvete e chantilly, que segundo ele é patrimônio da casa.

Uma interessante curiosidade da relação Pedro e Dopê está justamente no porquê de tudo isso. Ele nos contou que por ser vegetariano e pela dificuldade de encontrar uma granola de qualidade em sua região natal, Votuporanga, passou a produzir sua própria granola, a “Granola DoPê”, de onde saiu o nome da cafeteria. O espaço se encontra numa casa do fim da década de 40, restaurada e preparada especialmente para receber friendly for all um público de bom gosto, paladar e diversificado. Você pode conhecer a Dopê Casual Food aqui e visitar a casa de segunda a sexta, das 8h30 às 18h e aos sábados, das 10h às 18h.

Dopê Casual Food: O Nevado de Oreo é um verdadeiro patrimônio da casa

Enfim, Paulista. A avenida vem ficando famosa pelos seus novos empreendimentos da noite paulistana, que estão redemocratizando aquilo que podemos chamar de multiculturalidade. Exemplos disso são o Riviera Bar, recentemente remodelado e o Blue Note, casa de jazz e blues que há um ano e alguns meses trouxe uma nova cor e som ao Conjunto Nacional. Dada a relevância, não fomos lá, mas vale a pesquisa sobre. Então, o que indicamos com propriedade?

A avenida possui ao menos sete pontos culturais de grande expressividade, riqueza artística-cultural e praticamente gratuitos. Do fim da avenida pro começo: O Instituto Moreira Salles (Avenida Paulista, 2424) tem sua entrada gratuita para o centro cultural e exposições. Eventualmente, algumas atividades de sua programação são pagas. O prédio de nove andares erguido em 2017 merece a sua visita por se tratar de um museu vertical que combina com tudo o que a Paulista tem: modernidade, bela arquitetura e bom gosto.

O Museu de Arte de São Paulo, o tradicional MASP (Avenida Paulista, 1578), oferece visitação gratuita às terças-feiras. No domingo, em que a avenida é fechada para os carros, o vão livre do MASP abriga uma feira de antiguidades. Fundado em 1947 por Assis Chateubriand e desde 1968 no atual endereço, é o primeiro museu de arte moderna do país. Dividido em um acervo em transformação em forma de pinacoteca, espaço que conseguimos ver obras de arte do século XIII até mais contemporâneas, e outro espaço com exposições itinerantes.

O Museu de Arte de São Paulo tem obras do século XIII a mais contemporâneas. Tem entrada gratuita às terças-feiras

Poucos metros dali, mas do outro lado da avenida, o Centro Cultural FIESP (Avenida Paulista, 1313) foi uma novidade para nós dessa vez. Novidade boa. O espaço reúne teatro, café, áreas para exposições, galerias de fotos e galerias de artes.

Já no começo da avenida, quase que lado a lado, quatro espaços muito bacanas e importantes do pólo cultural da Paulista. O Itaú Cultural (Avenida Paulista, 149) tem entrada e atrações gratuitas. No térreo você sempre vai encontrar uma exposição itinerante e nos andares 4 e 5 o Espaço Olavo Setúbal, um icônico acervo da história do Brasil disposto em mais de 1.300 obras de arte e nove módulos diferentes. Essa exposição é permanente.

A Casa das Rosas é um dos sete endereços culturais gratuitos do Circuito Avenida Paulista

Ao lado do Itaú Cultural, o SESC Avenida Paulista (Avenida Paulista, 119) também gratuito, tem dezessete andares que reúnem espaços de tecnologia, de artes, para convivência, biblioteca, teatro e espetáculos, mas adivinhem qual o mais disputado? Sim, o último, claro! O mirante e o café-terraço do SESC dão um charme para quem quer ver a avenida com uma vista bem privilegiada.

A Casa das Rosas (Avenida Paulista, 37) é um museu ao ar livre, com um café bem aconchegante e a mansão histórica da família de Ramos de Azevedo. A visita pode ser espontânea ou guiada por um educador, mas é importante um detalhe: algumas atrações são pagas. A Casa em si funciona até meados de fim de março de 2020, época em que será fechada para uma reforma de dois anos aproximadamente. Nesse tempo, as atividades do café e dos jardins funcionarão normalmente.

Por fim, a Japan House São Paulo (Avenida Paulista, 52) fecha o circuito free com o melhor da cultura oriental. O espaço é composto por exposições, workshops, oficinas e experimentações culturais bem interessantes. A gente se lembra que na nossa última visita até degustação de balinhas japonesas rolou. Bem exótica, por sinal. Conhecer – e gratuitamente – a cultura oriental na filial da casa mundialmente conceituada é uma experiência única que essa dupla recomenda a qualquer um.

Na cidade que não para, a Paulista para?

Obviamente não! Se historicamente a avenida é palco de encontros de milhões de pessoas no Réveillon de São Paulo ou na Parada do Orgulho LGBT, por que ela pararia num dia comum? Da outra vez a gente já tinha constatado, mas essa segunda visita só ratificou que a Paulista é a passarela cosmopolita em que todos os grupos de fato se encontram. Seja pra curtir um som numa das várias esquinas, algum happy hour nos barezinhos da região, até mesmo descer a Augusta sentido balada, clubes de stand up comedy ou pra bater perna.

Fachada lateral da Padaria Bella Paulista. Espaço reúne desde apreciadores de uma reunião regada a café até quem procura um pit stop no meio da madrugada

Para encerrar nosso roteiro de 466 anos de Sampa, escolhemos o lugar em que de fato todos se encontram, e a essas horas já no ápice da noite paulistana, entre o esquenta de uns e o happy hour de outros. Se trata da Padaria Bella Paulista (Rua Haddock Lobo, 354). Lá encontramos a Patricia Oliveira que é gerente de operações da casa e nos contou sobre o público que frequenta, o funcionamento ininterrupto e a repaginação em 2019 que presenteou um bar, uma pizzaria e oitenta novas acomodações aos paulistanos e visitantes. Não à toa, após a remodelação, houve um aumento de 25% nas vendas.

A Padaria Bella Paulista serve desde o café da manhã até o jantar, pizzas, lanches, cafés variados, sobremesas, gelatos entre outras opções

A Padaria Bella Paulista é muito democrática. Tanto pelo público que a frequenta como pela forma de atender de seus funcionários. Hoje, a Bella se divide em vários setores, se preocupando em ter um mix bem variado que atenda a todos os gostos, desde uma reunião com um cafezinho até a uma pizza a moda napolitana, independente do horário. De nossas escolhas, destacam-se os sucos que têm sabores únicos e os gelatos, produzidos ali mesmo e que são simplesmente divinos. Vale muito a visita, a permanência e o repeteco porque é praticamente impossível você viver o que é São Paulo e não se sentir em casa por lá.

E por fim, 466! A cidade que não para, a terra da garoa, a capital do progresso, a cidade mais cosmopolita da América e uma das mais conhecidas e importantes do mundo (sem exageros) está ficando mais velha. Que ironia! Cada vez mais aberta à diversidade e ao novo, ainda desponta como a terra em que você pode fazer um bate-e-volta ou um bate-e-fica logo por que não? Afinal, São Paulo respira cultura, modernidade, gastronomia e opções de sobra pra quem quiser aproveitar. Vida longa e muito amor a essepê!

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