Tumor de testículo acomete adolescentes e adultos jovens

Dados do INCA (Instituto Nacional do Câncer) e da Sociedade Brasileira de Urologia revelam que o câncer de testículo é a neoplasia mais comum em homens entre 20 e 40 anos e corresponde a 5% do total de casos de câncer nos homens brasileiros

Da Redação*

A Sociedade Europeia de Urologia e a Associação Americana do Câncer revelam que a incidência do tumor de testículo vem aumentando nas últimas décadas, especialmente nos países industrializados e estima-se que atualmente ocorra até 10 novos casos/ano a cada 100.000 homens e para o ano de 2019 haverá aproximadamente 71.000 novos casos e 9.500 mortes no mundo.

Os testículos tem por função a produção da testosterona (hormônio masculino) e formação dos espermatozoides e estão localizados no escroto, bolsa sob a base do pênis.

Mais de 95% dos cânceres de testículos tem seu início nas células germinativas, responsáveis por produzir os espermas. As neoplasias mais frequentes de origem germinativa são os Seminomas e Não Seminomas.

Uma das principais características do câncer de testículo e o modo de crescimento rápido do tumor com alto poder de disseminação a distância (metástase), porém quando diagnosticado precocemente a chances de cura são elevadas.

Fatores de risco que aumentam a probabilidade de neoplasia testicular são conhecidos e destacamos a criptorquidia (presença do testículo fora do escroto), antecedentes pessoais ou familiar de câncer testicular, Síndrome de Klinefelter e o carcinoma in situ testicular.

Na maioria das vezes, o primeiro sintoma de câncer testicular é a simples identificação de um nódulo indolor, endurecido e de crescimento rápido, que leva o paciente a procurar um urologista.

O tumor testicular, em fases iniciais, pode simular outras doenças do escroto que causem dor e aumento de volume como a inflamação do testiculo (orquite) ou do epididimo (epididimite), além de hidrocele (líquido no escroto), varizes (varicoccele), cistos, hematomas e até hérnias.

Um sinal raro do câncer de testículo é o crescimento da mama (ginecomastia) que pode estar acompanhado de dor (mastalgia). Isso acontece porque certos tipos de tumores de linhagem germinativa secretam altos níveis de um hormônio chamado gonadotrofina coriônica humana (HCG), que estimula o desenvolvimento das mamas.

Em casos de doença avançada o paciente pode apresentar emagrecimento, dor em vários locais do corpo ou desconforto respiratório devido ao comprometimento tumoral de outros órgãos.

O câncer de testículo pode e deve ser encontrado em um estágio inicial. O ideal é a realização do auto exame digital dos testículos e a melhor hora para a realização do exame é durante ou após um banho, quando o escroto está relaxado.

O Urologista, faz o diagnóstico desta neoplasia a partir da identificação dos sinais e sintomas relatados pelo paciente, somado a um exame físico que identifica um nódulo no testículo, além da análise de exames laboratoriais (alfafetoproteina, gonatrofina coriônica humana e a desidrogenase láctica) que nem sempre estão alterados e de um ultrassom, método de imagem mais indicado no rastreamento tumoral.

O tratamento multidisciplinar pode ser necessário, mas a cirurgia constitui o primeiro passo no tratamento que em muitas vezes pode curar o paciente. A cirurgia ocorre por uma incisão na região inguinal (verrilha), conhecida como orquiectomia radical (retirada de testículo, epidídimo e cordão espermático). Não se abre o escroto, e o lado da bolsa em que se extraiu o testículo fica vazio, possibilitando a implantação de uma prótese testicular.

Tratamento complementares como Radioterapia, Quimioterapia e cirurgias completares, poderão ser indicados, depois da análise do tipo de célula cancerígena encontrada, da extensão tumoral e da presença ou não de metástase que será avaliado por tomografia computadorizada.

Diante da possibilidade de tratamento complementar é importante orientar o paciente para preservar sêmen (espermatozoides) visando fertilidade futura.

Em suspeita de um tumor de testículo, procure um Urologista imediatamente, esta atitude pode ser o diferencial na cura.

*com contribuição de Dr. Marco Aurélio Lipay,  Doutor em Cirurgia (Urologia) pela UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), Titular em Urologia pela Sociedade Brasileira de Urologia, Membro Correspondente da Associação Americana e Latino Americano de Urologia e Autor do Livro “Genética Oncológica Aplicada a Urologia”

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