Você imagina que pessoas nos grandes centros urbanos, longe das secas e do sertão, estão passando sede?

Casal do Rio de Janeiro distribui de bicicleta água potável para humanos e ração para cachorros de população em situação de rua

por Leandra Vianna, para outrosquinhentos.com

Vamos responder a pergunta ao longo dessa matéria. O fisioterapeuta Paulo Henrique Pereira e o seu companheiro, o administrador Anderson Trigueiro, moradores do Centro do Rio de Janeiro, no final do ano de 2020, impactados pela empatia natalina e pela popularidade do perfil da sua cadela Nina, com quase nove mil seguidores no Instagram https://instagram.com/ninacaorioca, resolveram criar a ação “Natal Sem Fome Pet”, inspirada na campanha Natal Sem Fome, criada pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho.

Mas e o que isso tem a ver com água? Vamos chegar lá… Paulo e Anderson arrecadaram 60kg de ração e saíram de bicicleta, doando para os cães de rua do centro empresarial do Rio.

“Como a Nina alcançou mais de oito mil seguidores no Instagram, temos muito engajamento com as postagens dela. Resolvi fazer a campanha de natal para os pets de rua. Arrecadamos 60kg de ração e dividimos em vários sacos de 1,5kg, colocamos na bike e corríamos pelo Centro / Estácio distribuindo para os cães”, conta Paulo.

Foi aí que veio a percepção que muitos de nós não tivemos. Temos por hábito dar comida para as pessoas em situação de rua, mas e água?

“Já no final da ração, um grupo de moradores que fica na Av. Graça Aranha (região do Castelo, centro do Rio), me pediu uma água para beber. Ficamos desconcertados com o pedido. Fomos no bar, compramos algumas garrafas e entregamos. No final de semana seguinte, já começamos a juntar garrafas e levar água filtrada para esses moradores. Saímos de casa com 12 garrafas de 1.5l, achamos que era o suficiente. Em menos de 10 minutos, entregamos as 12 garrafas e ficamos com a sensação de termos feito muito pouco”, acrescenta o fisioterapeuta.

Pensa que parou por aí? Encontramos o Paulo em um grupo do Facebook, pedindo doações de garrafas pet para que ele e seu companheiro possam aumentar a distribuição.

“Entendemos que a ação era importante e necessária. Fazemos nos finais de semana, devido aos nossos trabalhos, e por entender que durante a semana, com a cidade ‘aberta’ eles conseguem com os bares, restaurantes com mais facilidade. Já no final de semana, com tudo fechado no centro, fica mais difícil. Pedimos ajuda a nossa amiga Karina Fariña, que está indo conosco, levando mais seis garrafas. Agora já temos 18 e estamos pedindo ajuda a outros amigos para aumentarmos a quantidade. Estamos seguindo todos os protocolos de segurança contra Covid-19. Anderson é insulino dependente, por isso não abrimos para um grupo maior. Só que agora estou zerado de garrafas e resolvi pedir ajuda no grupo do Facebook para recolher mais, para que possamos continuar o projeto”, explica Pereira.

É empatia que chama?

“A receptividade dos moradores de rua é enorme. Eles são gratos, fazem muitos agradecimentos e acho que o diferencial acaba sendo a abordagem. Converso muito com eles, brincamos e percebo que isso quebra o medo. Até hoje, só uma senhora não aceitou a água e ela não estava muito bem. Teve um outro que ficou receoso, me perguntou se eu não tinha colocado veneno na água dele, como viu que os outros estavam conversando muito comigo, pois estes já me conheciam, ele acabou quebrando esse medo”, afirma Paulo Henrique.

Comece com pouco, não precisa de muito para ser solidário

“Tenho consciência que isso é muito pouco. Quando acabamos, ficamos ‘frustrados’ por acharmos que foi pouco. Porém, é um começo. O Padre Julio Lancellotti costuma dizer em entrevistas que a maior ajuda que podemos dar aos moradores de rua é não torná-los invisíveis. Dessa forma, posso chegar até esses moradores e dizer que alguém se importa com eles”. Esse é o maior objetivo, finaliza Paulo Pereira.

Nesse momento, há pessoas passando sede ao seu redor. Inspire-se! Junte suas garrafas pet vazias, lave e saia distribuindo água filtrada para pessoas em situação de rua, na sua própria rua, no seu bairro, na sua cidade.

Se você é do Rio de Janeiro e tem garrafas pet para doar, entre em contato com o Paulo pelo Whatsapp (21) 99943-0339.

Guarde suas garrafas pet, encha de água filtrada e doe.



, , , , , ,