Xixi na cama impacta negativamente autoestima e qualidade de vida das crianças e familiares

Acompanhamento psicológico familiar é recomendado em casos de enurese

Da Redação

A Enurese, transtorno que causa a perda involuntária da urina durante o sono, atinge até 15% das crianças com mais de 5 anos de idade, segundo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), e causa restrições que às vezes não são identificadas pelos pais. Além de um rápido diagnóstico para início imediato do tratamento, o acompanhamento psicológico é muito importante, tanto para a criança quanto para a família.

“As crianças que fazem xixi na cama queixam-se de não poderem dormir na casa de amigos e familiares, e assim ficarem de fora da famosa ‘Noite do Pijama’, atividade comum com os colegas”, diz Profa. Dra. Cacilda Andrade de Sá da Faculdade de Medicina da UFJF e Coordenadora do serviço de Psicologia do Ambulatório de Enurese do Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF). A especialista ainda acrescenta que o transtorno impacta diretamente a vida escolar e o convívio social, além da afetar a autoestima e a qualidade de vida dos pequenos.

Um estudo realizado em escolas públicas de Juiz de Fora mostrou que apenas 4,81% das crianças com enurese buscavam auxílio médico (Netto et al., 2008). Em uma avaliação inicial feita no Ambulatório de Urologia Pediátrica (HU/UFJF) com crianças e adolescentes que sofrem com o transtorno, os médicos constataram que uma das maiores consequências da enurese é a punição sofrida por causa da perda urinária. A criança é culpada por aquilo que, para ela, já é um castigo: “acordar molhada”.

Diagnóstico e tratamento

Além de considerar os antecedentes pessoais e familiares, o diagnóstico pode ser feito observando a evolução da criança quanto ao desenvolvimento psicomotor e à capacidade de enchimento e esvaziamento da bexiga. Adicionalmente, pode ser necessário submeter a criança a exames clínicos: genital, neurológico, de urina e de sangue.

Na maioria das vezes, a Enurese acontece devido a fatores genéticos, fatores relacionados a quantidade de urina produzida pela criança durante à noite, fatores relacionados a função da bexiga e relacionados ao sono, ocorrendo, portanto, de forma involuntária, sem qualquer culpa por parte da criança.

A ocorrência da Enurese que irá levar a criança a apresentar problemas comportamentais e psicológicos. O oposto, ou seja, a Enurese ter um problema psicológico como fator causal ocorrem em uma minoria dos casos e, normalmente, está relacionada a algum trauma (estresse) sofrido pela criança e ocorre após a mesma já ter ficado seca por um período maior que 6 meses. No entanto, em ambos os casos, a criança não consegue controlar a micção durante o sono e os episódios ocorrem sem que ela queira.

O acompanhamento psicólogo é de grande ajuda no tratamento. O profissional pode fornecer informações sobre treinamento e controle esfincterianos, auxiliar na recuperação da autoestima das crianças e também orientar os pais sobre como lidar com o transtorno.

Participação da família

Para pais e cuidadores, a enurese é uma das mais frustrantes disfunções da infância. Conforme os filhos crescem, aumenta também a expectativa de que a criança adquira autonomia e responsabilidade. Quando não atendida, essa expectativa pode gerar desconfiança e uma sensação de incapacidade, causando culpa e raiva.

O apoio da família é fundamental para o sucesso no tratamento. “Quem sofre de enurese precisa ser atendido por profissional especializado. O xixi na cama é uma realidade, mas ainda continua sendo tratado como se fosse um grande segredo de família”, comenta Cacilda.

De acordo com a psicóloga, os pais, ao terem de lidar com o xixi na cama, podem se deparar com sentimentos de ansiedade, culpa, perda de confiança nas competências parentais e dificuldades na relação com os filhos. “Muitas vezes a punição é utilizada como forma de educar a criança, diante da impossibilidade de se resolver o problema. Por isso a inclusão de toda a família no tratamento da criança é fundamental, para eliminar a punição”, finaliza.

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